Avanço de soluções com inteligência artificial amplia acesso à educação financeira no Brasil

Com 55% dos brasileiros relatando baixo conhecimento financeiro, ferramentas digitais surgem como aliadas para organização do orçamento

Uma pesquisa do Observatório Febraban revelou que 55% dos brasileiros admitem ter baixo conhecimento em educação financeira, sendo que 40% dizem entender pouco e 15% afirmam não entender nada sobre o tema. O levantamento foi realizado com 3 mil pessoas de todas as regiões do país entre 12 e 26 de junho de 2025 pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Os dados apontam que, embora a maioria reconheça a importância do assunto para a vida pessoal e profissional, a compreensão prática e aplicação de conceitos como orçamento, controle de gastos, poupança e planejamento financeiro ainda não são amplamente dominados pela população.

Diante desse cenário, soluções baseadas em tecnologia e inteligência artificial têm ganhado espaço como ferramentas de apoio à organização financeira. Aplicativos e plataformas digitais que facilitam o registro de despesas e receitas, além de oferecer relatórios e insights personalizados, começam a ser vistos como aliados no processo de educação financeira, especialmente para públicos que não têm acesso a conteúdo formal ou acompanhamento especializado.

Um exemplo desse movimento é o Organizaí, produto desenvolvido pelo Grupo Controller, que atua como um chat assessor no WhatsApp para registro de receitas e despesas. Por meio das informações fornecidas pelos usuários, a ferramenta gera relatórios financeiros e auxilia no acompanhamento das finanças pessoais, oferecendo uma forma prática de organizar o orçamento e entender padrões de gastos.

Para João Pedro de Castro, sócio da Organizaí, a criação da ferramenta foi motivada pela ampla lacuna de conhecimento financeiro observada na população. “Muitas pessoas sabem que precisam organizar suas finanças, mas encontram dificuldades em transformar isso em ação no dia a dia. A proposta foi desenvolver uma solução simples, acessível via WhatsApp, que apoie o usuário no registro e na visualização de seus dados financeiros, contribuindo para sua educação financeira”, afirma

Ele ressalta ainda que a utilização de inteligência artificial permite uma maior análise e interpretação dos dados, transformando registros cotidianos em informações úteis para a tomada de decisões. “Esse tipo de apoio pode ajudar as pessoas a compreenderem melhor seu comportamento financeiro e a se aproximarem de uma organização mais efetiva do orçamento”, completa.

A pesquisa do Observatório Febraban destaca que, mesmo com o baixo nível de conhecimento relatado, a maioria dos brasileiros atribui importância à educação financeira e busca formas de acompanhar melhor suas finanças. Para João Pedro, ferramentas digitais podem atuar como apoio nesse processo. “Quando a pessoa ou a empresa passa a registrar receitas e despesas e consegue visualizar essas informações de forma organizada, ela começa a entender melhor sua própria relação com o dinheiro. Esse acompanhamento contínuo contribui para decisões financeiras mais conscientes ao longo do tempo”, afirma.

61% dos brasileiros pretendem mudar de emprego em 2026; especialista explica os principais motivos

O desejo de mudar de emprego tem se tornado uma realidade para a maioria dos profissionais brasileiros. De acordo com pesquisa da consultoria Robert Half, 61% dos trabalhadores no Brasil planejam procurar um novo emprego ao longo de 2026. O dado evidencia uma transformação relevante na forma como a carreira profissional vem sendo avaliada no país.

Mais do que uma insatisfação pontual, esse movimento reflete expectativas mais claras por valorização, crescimento e oportunidades alinhadas aos projetos de vida e ao desenvolvimento profissional. A permanência em um mesmo cargo, sem perspectivas de evolução, deixou de ser vista como sinônimo de estabilidade.

Segundo a coordenadora dos cursos de Gestão da Estácio Ceará, Mimosa Melo, a decisão de buscar uma nova colocação está fortemente relacionada à percepção de estagnação dentro das organizações. “Muitos profissionais não enxergam possibilidades reais de crescimento. Quando não há perspectiva de evolução, a mudança passa a ser uma escolha estratégica”, explica.

Entre os principais fatores associados a esse comportamento estão a busca por melhor remuneração, oportunidades concretas de desenvolvimento, novos desafios e modelos de trabalho mais flexíveis. Para a especialista, esses elementos revelam uma postura mais consciente em relação à própria carreira. “Hoje, permanecer em um emprego sem aprendizado, reconhecimento ou progressão deixou de ser sinônimo de segurança profissional”, afirma.

Outro ponto destacado pela pesquisa é a crescente valorização de formatos de trabalho que oferecem maior autonomia e flexibilidade. Modelos excessivamente rígidos tendem a perder atratividade diante de profissionais que compreendem o valor do tempo e da qualidade de vida como parte essencial da construção da carreira.

Do ponto de vista das empresas, o cenário exige atenção estratégica. Altos índices de rotatividade não devem ser tratados apenas como um desafio operacional, mas como um sinal de que as políticas de gestão de pessoas precisam ser revistas. “Organizações que investem em planos de carreira claros, lideranças preparadas e desafios compatíveis conseguem reter talentos e fortalecer seus resultados”, destaca Mimosa Melo.

O desejo de sair do emprego, portanto, traduz uma mudança de mentalidade no mercado de trabalho brasileiro. Mais do que trocar de empresa, muitos profissionais buscam trajetórias que ofereçam crescimento, reconhecimento e coerência entre esforço, retorno e projeto profissional.

Auditorias fiscais ganham força como medida preventiva nas empresas

Especialista aponta cuidados essenciais ao longo do ano para reduzir passivos e garantir segurança jurídica

Com o avanço dos mecanismos de fiscalização e o uso cada vez mais intensivo do cruzamento eletrônico de dados pelos fiscos federal, estaduais e municipais, as empresas precisam estar mais atentas à sua conformidade tributária antes de uma auditoria fiscal. Mais do que um procedimento pontual, a auditoria se consolida como uma ferramenta estratégica de gestão, capaz de identificar riscos, corrigir inconsistências e prevenir autuações que podem gerar impactos financeiros e jurídicos relevantes.

Ao longo do ano, as empresas precisam cumprir uma série de obrigatoriedades fiscais que exigem atenção constante da gestão. Entre elas estão a entrega correta e dentro dos prazos das obrigações acessórias, como SPED Fiscal, SPED Contábil (ECD), SPED Contribuições, ECF, DCTF, DIRF, eSocial e demais declarações exigidas pelos fiscos. 

Soma-se a isso a apuração adequada de tributos federais, estaduais e municipais, como IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ICMS e ISS, além da emissão e escrituração correta das notas fiscais, da atualização cadastral junto aos órgãos fazendários, do recolhimento dos tributos nos prazos legais e da guarda organizada de documentos fiscais e contábeis pelo período exigido em lei. Qualquer inconsistência entre essas informações pode ser identificada pelos sistemas de fiscalização e resultar em multas, autos de infração e passivos tributários inesperados.

Nesse cenário, a auditoria fiscal exerce um papel fundamental ao revisar rotinas, validar dados, identificar falhas operacionais e apontar oportunidades de correção antes que os problemas sejam detectados pelo fisco. “A auditoria fiscal permite que a empresa antecipe riscos e corrija falhas de forma planejada, evitando surpresas desagradáveis em fiscalizações oficiais. Ela transforma a gestão tributária em um processo mais seguro e estratégico”, afirma Carlos Augusto especialista em auditoria e planejamento tributário da ABAX Consultoria.

Além da conformidade com as obrigações fiscais, a auditoria também contribui para a identificação de oportunidades de melhoria na carga tributária, por meio da análise do enquadramento fiscal, do regime de tributação adotado e da correta aplicação de incentivos, benefícios e créditos permitidos pela legislação. “Muitas empresas acabam pagando mais tributos do que o necessário por falhas operacionais ou interpretações equivocadas das normas. Ao revisar esses pontos, a auditoria fiscal auxilia na otimização dos processos e na redução de custos, sempre dentro dos limites legais, fortalecendo a competitividade do negócio”, explica Carlos.

Outro aspecto relevante é a preparação da empresa para eventuais fiscalizações presenciais ou digitais, cada vez mais comuns em função do uso de inteligência artificial e cruzamento de bases de dados pelo fisco. A auditoria ajuda a criar uma cultura de compliance tributário, promovendo treinamentos internos, padronização de rotinas e maior integração entre as áreas contábil, fiscal, financeira e jurídica. Esse alinhamento interno reduz riscos operacionais, aumenta a transparência das informações e oferece maior tranquilidade aos gestores na tomada de decisões estratégicas, especialmente em processos de expansão, reorganização societária ou captação de investimentos.

Quem realiza auditorias fiscais?

As auditorias fiscais preventivas podem ser realizadas por empresas especializadas em consultoria tributária, auditoria e compliance, formadas por profissionais legalmente habilitados, como contadores, auditores independentes e advogados tributaristas. Diferentemente das fiscalizações conduzidas pelos órgãos fazendários, essas auditorias privadas têm caráter consultivo e preventivo, com foco na orientação, na adequação à legislação vigente e na melhoria dos processos internos. 

“Contar com uma consultoria especializada é fundamental para interpretar corretamente uma legislação complexa e em constante mudança. Uma auditoria bem conduzida não apenas revisa o passado da empresa, mas também orienta decisões futuras e fortalece a governança corporativa”, destaca o especialista da ABAX Consultoria, Carlos Augusto.

Startups cearenses FlakeFlow e Straloo captam cerca de R$ 1,6 milhão em edital Smart Factory

As startups FlakeFlow e Straloo, ambas residentes do Ninna Hub, conquistaram captação de recursos somando aproximadamente R$1,6 milhão no edital Smart Factory da Plataforma Inovação para a Indústria. Cada uma delas foi selecionada para receber cerca de R$800 mil, o que permitirá o desenvolvimento e a implementação de soluções tecnológicas voltadas à transformação digital de processos industriais.

A chamada Smart Factory, promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em parceria com o BNDES, a ABDI e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, integra a plataforma de inovação que estimula projetos focados em tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0, como inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e sistemas ciberfísicos, voltados à melhoria de eficiência e produtividade de micro, pequenas e médias empresas. 

A FlakeFlow, startup que atua com soluções de organização de fluxos de trabalho digital com apoio de automação e tecnologia, foi uma das selecionadas no edital e receberá recursos para aplicar seu projeto em ambientes produtivos. “Essa captação representa um passo relevante para o desenvolvimento de nossa solução e sua aplicação em cenários reais de produção, ampliando nossa capacidade de contribuir com processos mais eficientes”, afirma Luciano Lazeri, founder da FlakeFlow.

Também aprovada, a Straloo, healthtech que desenvolve soluções digitais de avaliação e cuidado relacionadas à reabilitação musculoesquelética, vai aplicar o recurso aprovado em um projeto que responde a uma demanda regulatória do setor. Segundo Lucas Melo, founder da Straloo, “o projeto aprovado no Smart Factory vem para endereçar uma dor real do mercado, que são as mudanças regulatórias relacionadas à NRU, que passa a avaliar fatores econômicos e psicossociais nas indústrias e empresas em geral e será fiscalizada a partir de maio. A ideia é criar uma estrutura tecnológica escalável com aplicações de IA para realizar avaliações biomecânicas mais precisas e, combinadas com fatores psicossociais, permitir que, a partir da avaliação do paciente e do contexto do trabalho em que está inserido, possamos gerar e sugerir um plano de cuidado individualizado em grande escala.”

Ambas as startups beneficiadas são residentes do Ninna Hub, ecossistema de inovação que busca conectar empreendimentos tecnológicos a oportunidades de mercado e programas de fomento. Para Michael Dhyani, head de inovação aberta do Ninna Hub, “a seleção de FlakeFlow e Straloo no edital Smart Factory reflete a capacidade de projetos cearenses em atender demandas contemporâneas de tecnologia e inovação, além de ampliar a conexão entre startups e iniciativas estruturantes para a indústria e o mercado digital”.