No último dia 30 de abril, celebrou-se o Dia Nacional da Mulher. Diferente do caráter comercial que muitas vezes envolve datas comemorativas, a data surge como um chamado urgente para a sociedade brasileira olhar de frente para questões estruturais: o peso da maternidade real, a necessidade de políticas de autocuidado e o enfrentamento incansável ao feminicídio.
Instituído em 1980, o dia homenageia Jerônima Mesquita, enfermeira e líder do movimento sufragista no país. Em 2026, porém, o foco expande-se para a saúde integral da mulher, que frequentemente se vê sobrecarregada por duplas ou triplas jornadas de trabalho.
Maternidade real e a pressão social
Um dos pilares de discussão deste ano é a desmistificação da “mãe perfeita”. O conceito de maternidade real tem ganhado força para expor o esgotamento materno, a solidão no cuidado com os filhos e a falta de redes de apoio eficazes. A pressão para equilibrar carreira e vida doméstica, sem o devido suporte do Estado e da iniciativa privada, tem gerado níveis alarmantes de ansiedade e burnout entre as brasileiras.
Luta diária no combate ao feminicídio
Embora a data tenha um tom de reconhecimento, ela é, acima de tudo, um marco de resistência. O combate ao feminicídio e a todas as formas de violência de gênero continua sendo a prioridade zero. O Brasil ainda registra índices preocupantes, o que reforça que a celebração só é completa quando acompanhada de políticas públicas de proteção, educação e punição rigorosa aos agressores.
Para além das lutas coletivas, existe a dimensão individual da preservação da mulher enquanto sujeito de desejos e necessidades. O autocuidado, muitas vezes visto como um luxo, é, na verdade, uma ferramenta de sobrevivência e empoderamento.
A psicóloga Sarah Rebeca Barreto destaca que a saúde mental feminina é diretamente impactada pelas expectativas sociais impostas desde cedo. De acordo com a profissional, o cuidado de si deve ser o ponto de partida para qualquer transformação: “O Dia Nacional da Mulher precisa ser um lembrete de que, para sustentar tantas lutas externas, a mulher precisa estar fortalecida internamente. O autocuidado não é um ato egoísta, mas uma estratégia vital. É urgente que a mulher aprenda a priorizar sua saúde mental, reconhecendo seus limites e buscando espaços de escuta e acolhimento. Cuidar de si é o primeiro passo para que ela possa ocupar o mundo com a força que lhe é de direito, sem que isso custe o seu equilíbrio emocional”, completa.