Tecnologia e dados abrem novos caminhos para a expansão da suinocultura no Nordeste
Plataforma da DX – Data Experiente e da ABCS oferece inteligência de mercado para apoiar decisões de produtores, empresas e investidores
A combinação entre expansão da produção, mercado consumidor crescente e disponibilidade de insumos coloca o Nordeste entre as regiões com maior potencial para ampliar sua participação na suinocultura brasileira. Em um cenário que exige decisões cada vez mais baseadas em dados e informação, a DX – Data Experience e a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) lançam o ABCSData Insights, plataforma digital que reúne indicadores estratégicos da cadeia produtiva para orientar produtores, empresas, investidores e instituições na identificação de oportunidades e no planejamento da atividade.
A solução reúne indicadores provenientes de bases oficiais, como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Receita Federal e outros órgãos públicos. O sistema organiza informações sobre rebanho, custos de produção, crédito rural, comércio exterior, mercado, emprego, sanidade animal, inspeção federal, abates e diversos outros indicadores que podem ser consultados, analisados e exportados para estudos e tomadas de decisão.
O lançamento ocorre em um momento de expansão da atividade no Nordeste. No primeiro trimestre de 2026, a região registrou o abate de aproximadamente 180 mil suínos, crescimento de quase 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Bahia e Ceará lideraram o processamento de animais, com cerca de 70 mil e 61 mil cabeças abatidas, respectivamente. Nos plantéis tecnificados e independentes, a Bahia contabiliza aproximadamente 18 mil matrizes, seguida pelo Ceará, com 15 mil, e pelo Maranhão, com 5 mil, conforme dados da ABCSData Insights.
Para o consultor de mercado da ABCS, Iuri Pinheiro Machado, o Nordeste reúne características capazes de impulsionar uma nova etapa de desenvolvimento da atividade. “A região possui um mercado consumidor de aproximadamente 70 milhões de habitantes e um enorme espaço para ampliar o consumo de carne suína. O fortalecimento da produção tecnificada, aliado à instalação de novas agroindústrias, pode acelerar esse crescimento e consolidar novos polos produtivos”, afirma.
Segundo Machado, outro fator decisivo para esse avanço é o processo de erradicação da Peste Suína Clássica (PSC) em estados onde a doença ainda ocorre. “A PSC afeta exclusivamente os suínos e não representa qualquer risco à saúde humana. À medida que conseguirmos eliminar a doença nesses estados, criaremos condições para uma expansão muito mais rápida da suinocultura tecnificada em toda a região Norte-Nordeste”, destaca.
O especialista também ressalta que a disponibilidade de grãos representa uma vantagem competitiva importante para a região. “O Matopiba já desponta como uma importante fronteira agrícola para milho e soja, principais insumos da alimentação dos animais, que respondem por cerca de 70% do custo de produção. Essa proximidade tende a estimular novos investimentos na atividade”, explica.
Para a DX, a tecnologia tem papel fundamental na modernização da gestão da cadeia produtiva. “Nosso objetivo foi transformar grandes volumes de dados públicos em informações organizadas, confiáveis e de fácil interpretação. A plataforma oferece uma visão ampla do setor, permitindo identificar tendências, avaliar oportunidades e apoiar decisões estratégicas com muito mais rapidez e precisão”, afirma Henrique Queiroz, sócio da DX – Data Experience.
Além do avanço da produção, o potencial de expansão da suinocultura nordestina também se reflete no consumo. A 14ª Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), promovida pela ABCS no mês de julho, demonstrou que ações estruturadas de comunicação e gestão por categorias podem impulsionar a presença da proteína no varejo.
Na edição de 2026, 94% das redes participantes registraram crescimento em pelo menos um dos principais indicadores de desempenho, como volume comercializado ou faturamento. Em 88% delas houve aumento nas vendas em volume, enquanto 76% alcançaram expansão de dois dígitos, com algumas operações registrando crescimento de até 25% na receita gerada pela categoria.
O Nordeste foi um dos destaques da campanha. A estreia do Grupo Mateus, maior rede varejista da região, resultou em um aumento de 11% no volume de vendas de carne suína durante a ação, reforçando que ainda existe amplo espaço para ampliar o consumo regional.
Para Henrique Queiroz, sócio da DX – Data Experience, o crescimento da suinocultura inclui a capacidade de transformar informação em estratégia. Quando o produtor consegue acompanhar indicadores de mercado, custos, consumo e desempenho regional em um único ambiente, ele reduz incertezas e toma decisões com mais segurança.
“Campanhas como a Semana Nacional da Carne Suína mostram que existe demanda crescente e ajudam a revelar oportunidades de mercado. Ao reunir esses dados de forma estruturada, a plataforma permite que os produtores do Nordeste planejem investimentos, identifiquem tendências e se posicionem para aproveitar esse momento de expansão da atividade”, afirma Henrique Queiroz.

