Disciplina em curso de Psicologia da Estácio Ceará propõe debate crítico sobre violência contra a mulher
A formação em Psicologia tem ampliado o olhar para questões sociais urgentes, entre elas a violência contra a mulher. No Ceará, estudantes do curso de Psicologia da Estácio Ceará têm sido convidados a refletir sobre esse cenário por meio da disciplina “Psicologia com Mulheres em Situações de Violência”, que integra a grade curricular.
A proposta da disciplina é promover discussões críticas sobre as múltiplas formas de violência de gênero, abordando desde aspectos culturais até os impactos psicológicos vivenciados por mulheres em contextos de vulnerabilidade. A iniciativa busca também provocar nos futuros profissionais uma reflexão sobre o papel da Psicologia diante desse desafio social.
Entre os conteúdos trabalhados, está o conceito de “tecnologia de gênero”, discutido a partir de textos acadêmicos como o da professora Valeska Zanello, que analisa como padrões culturais contribuem para a construção e manutenção das desigualdades entre homens e mulheres. Um dos exemplos utilizados em sala é o conto “A Bela e a Fera”, frequentemente interpretado como uma narrativa que reforça a ideia de que o amor e a dedicação feminina seriam capazes de transformar comportamentos masculinos, uma crença que pode influenciar a forma como muitas mulheres percebem e vivenciam suas relações.
A professora da disciplina, Kalina Lima, destaca que o tema tem despertado reflexões importantes entre os estudantes. “Discutir violência contra a mulher dentro da formação em Psicologia é fundamental para que futuros profissionais compreendam a complexidade dessas situações e consigam atuar de forma ética e sensível. Nosso objetivo é ampliar esse olhar e questionar construções culturais que muitas vezes naturalizam relações desiguais”, afirma.
Além das discussões teóricas, a disciplina também busca aproximar os alunos da realidade prática. Segundo Kalina, a instituição está em contato com serviços da rede de proteção para viabilizar visitas institucionais. “Estamos em articulação com equipamentos da rede de proteção para proporcionar aos estudantes uma vivência para além da sala de aula, permitindo que conheçam na prática como funciona o acolhimento e o atendimento às mulheres em situação de violência”, explica.
A disciplina também abre espaço para que a comunidade acadêmica participe das discussões, ampliando o diálogo sobre o tema e incentivando uma atuação profissional mais consciente e comprometida com a realidade social. A coordenadora do curso de Psicologia, Leidiana Silva, destaca que o espaço em sala de aula tem sido também um ambiente de escuta e construção coletiva. “Nosso objetivo é ir além da teoria. Queremos que os estudantes compreendam a complexidade da violência de gênero e se sintam preparados para atuar de forma ética, sensível e responsável diante dessas situações”, explica.
