“Estilo de vida é o maior modificador hormonal disponível”, defende médico Paulo Muzy

Especialista defendeu, durante o evento Ciclo da Vida, em Fortaleza, que sono e rotina exercem papel central na regulação hormonal e no bem-estar

O estilo de vida é o principal modificador hormonal disponível para a população. A afirmação foi um dos destaques da palestra ministrada pelo médico Paulo Muzy durante o Ciclo da Vida, evento realizado em Fortaleza e voltado à discussão de temas relacionados à saúde, emagrecimento e longevidade.

Ao abordar a relação entre hormônios, comportamento e qualidade de vida, o especialista ressaltou que fatores como sono e organização da rotina exercem influência direta sobre o funcionamento do organismo, impactando desde o metabolismo até a capacidade de realização das atividades diárias.

“O estilo de vida é o maior modificador hormonal disponível. Se você muda a sua hora de sono, o que a gente chama de cronotipo, que é simplesmente a hora que você dorme e a hora que você acorda, isso gera um impacto na sua capacidade de realizar coisas que até então você achou que eram simples, mas que você vai conseguir fazer para o resto da sua vida. Um ano dando plantão, por exemplo, tem um impacto. Mas trinta anos é uma coisa completamente diferente”.

Ainda segundo o especialista, a percepção de bem-estar está diretamente ligada a mecanismos biológicos e à forma como o organismo responde aos hábitos construídos ao longo da vida. O médico ainda discutiu como os sistemas de recompensa do cérebro influenciam comportamentos e escolhas cotidianas, especialmente em relação à alimentação, ao consumo de conteúdos digitais e à busca por gratificações imediatas.

Ao explicar esses mecanismos, o palestrante destacou as diferenças entre recompensas instantâneas e aquelas construídas por meio do esforço e do desenvolvimento de hábitos saudáveis, defendendo a importância de compreender como o cérebro interpreta prazer, satisfação e motivação.

“Quando você está nas redes sociais, também estimula a dopamina, mas é uma dopamina pobre. Não é aquela gerada quando alguém tem uma dúvida, busca uma resposta, faz uma pesquisa e encontra um caminho para adquirir conhecimento. É apenas um curto momento de satisfação, que logo quando acaba, já pede um novo”. 

Obesidade, longevidade e qualidade de vida

O médico nutrólogo, André Guanabara, idealizador do Ciclo da Vida, trouxe em sua apresentação temas como obesidade, estilo de vida saudável e longevidade, destacando a importância da conscientização entre idade cronológica e idade biológica. 

“A obesidade vai muito além da questão estética. Ela impacta diretamente o funcionamento do organismo, aumenta o risco de diversas doenças e acelera processos que comprometem a qualidade de vida. Quando falamos em longevidade, precisamos entender que não basta viver mais anos, é necessário viver melhor. Por isso, é fundamental olhar para hábitos como alimentação, atividade física, sono e saúde emocional, que influenciam diretamente a nossa idade biológica”. 

Realizado no Teatro RioMar Fortaleza, o Ciclo da Vida reuniu cerca de mil pessoas em uma programação voltada à disseminação de informações sobre saúde metabólica, alimentação, longevidade, saúde mental, reposição hormonal e qualidade de vida. O evento contou com a participação de especialistas de diferentes áreas da saúde, promovendo discussões fundamentadas em evidências científicas e voltadas à prevenção e ao cuidado integral.

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