OAB Responde: O que muda com o ECA Digital?

A internet passou, neste mês de março, a ter novas regras de proteção para crianças e adolescentes com a implementação do chamado ECA Digital, que amplia para o ambiente online os princípios já previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As mudanças atingem diretamente redes sociais, plataformas digitais, jogos online e sites acessados por menores de idade.

Entre as novas medidas estão mecanismos mais rigorosos de verificação de idade, maior proteção de dados e privacidade para usuários menores de 18 anos e novas responsabilidades para as empresas que operam serviços digitais.

De acordo com a presidente da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB Ceará, Erivania Bernardino, a legislação busca atualizar a proteção já garantida pelo Estatuto para a realidade digital.

“O ECA Digital vem fortalecer os princípios esculpidos pela Lei 8.069 de 1990 no ambiente digital, sejam sistemas, ambientes de jogos ou redes sociais. O principal objetivo é criar critérios claros de deveres e obrigações das plataformas perante a proteção de crianças e adolescentes, fortalecendo o princípio da parentalidade positiva e a proteção integral”, explica.

Verificação real de idade
Uma das mudanças mais relevantes diz respeito à verificação de idade nas plataformas digitais. Aqueles avisos simples, em que o usuário apenas marca se tem ou não mais de 18 anos, deixam de ser suficientes.

Segundo Erivania, a nova legislação determina que plataformas adotem mecanismos mais eficazes para identificar a idade real do usuário. “Não será mais permitido apenas perguntar se a pessoa é maior de 18 anos. As plataformas terão que desenvolver instrumentos capazes de aferir a idade real do usuário quando houver acesso de crianças e adolescentes”, afirma.

Privacidade como configuração padrão
Outra determinação importante é que plataformas destinadas ao público infantil ou adolescente passem a adotar configurações máximas de privacidade como padrão. Isso significa que dados pessoais, exposição pública de perfis e compartilhamento de informações deverão ser restritos desde o início do uso, ampliando a proteção digital desse público.

Proibição de “caixas de recompensa” em jogos
A nova legislação também proíbe um recurso comum em jogos online: as chamadas “caixinhas de recompensa” ou bônus concedidos ao jogador para incentivá-lo a permanecer mais tempo conectado.

Para a presidente da comissão, o mecanismo pode estimular comportamentos de dependência entre crianças e adolescentes. “Esse tipo de recurso funciona como um estímulo para que a criança ou adolescente permaneça no jogo e pode incentivar o vício. Por isso, passa a ser proibido em jogos voltados ao público infanto-juvenil “, ressalta.

Monitoramento parental obrigatório
O ECA Digital também reforça o papel da família na supervisão da atividade online de menores de idade. Contas em redes sociais de usuários com menos de 16 anos deverão estar vinculadas ao perfil de um responsável, permitindo acompanhamento e monitoramento.

A medida busca fortalecer o conceito de parentalidade positiva, incentivando a participação ativa de pais e responsáveis no uso da internet por crianças e adolescentes.

Fiscalização e punições
O cumprimento das novas regras será monitorado pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Empresas que descumprirem a legislação podem sofrer advertências, multas e até suspensão de atividades.

“A ANPD poderá aplicar advertências, multas que podem chegar a 50 milhões de reais e, em casos mais graves, até suspender plataformas que não cumprirem as regras”, explica Erivania.

Atenção das famílias
Apesar das novas obrigações impostas às plataformas digitais, especialistas destacam que a proteção de crianças e adolescentes na internet depende também da participação da sociedade e das famílias.

“Muitas vezes pensamos que nossos filhos estão seguros porque estão apenas no computador ou no celular. Mas é fundamental que pais e responsáveis acompanhem e orientem. A legislação existe, há fiscalização, mas o controle parental e a atenção da sociedade continuam sendo essenciais”, conclui Erivania Bernardino.

A Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB Ceará afirma que seguirá acompanhando a implementação das novas regras e promovendo ações de orientação sobre o uso seguro da internet por crianças e adolescentes.

Mulheres representam mais de 50% da força de trabalho do setor supermercadista

A participação feminina no setor supermercadista brasileiro cresce de forma consistente e cada vez mais visível em cargos de liderança, como indica a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Dados da instituição indicam que as mulheres representam mais de 50% da força de trabalho do setor no país, e levantamentos baseados em dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam aumento gradual da participação feminina em cargos de chefia, supervisão e gerência nas redes de varejo alimentar.

O avanço é percebido em diversas áreas da operação supermercadista. Funções como gerência de loja, supervisão de setores, compras, marketing, logística, tecnologia e gestão administrativa têm registrado crescimento da presença feminina, refletindo mudanças culturais e organizacionais dentro de um dos segmentos mais dinâmicos da economia brasileira.

No Nordeste, onde o setor tem forte capilaridade e importância econômica, essa transformação também é evidente. A cearense Rede Uniforça, maior associação supermercadista da região, por exemplo, tem cinco mulheres no time de gestão, que conta com oito líderes, no total. As gerentes ocupam áreas estratégicas para o funcionamento da rede: Gente e Gestão, Tecnologia da Informação e Processos, Marketing, Comercial e Logística.

Para a vice-presidente da associação, Léa Porto, a posição de destaque que tais mulheres galgaram é “resultado de competência, dedicação e da capacidade de lidar com um setor que exige organização, sensibilidade e rapidez nas decisões”.

O grupo feminino também lidera entre os associados: 75% das bandeiras de supermercados são dirigidas ou presididas por mulheres, demonstrando que o avanço da participação delas não se dá mais somente na gestão interna das empresas, mas agora também no comando dos negócios.

O crescimento da presença feminina em posições estratégicas reflete uma mudança estrutural no varejo alimentar brasileiro, que passa a reconhecer cada vez mais a diversidade de perfis na liderança e a capacidade das mulheres de conduzir equipes, gerir operações complexas e impulsionar o desenvolvimento do setor.

Trajetórias no varejo cearense

Com 23 anos de dedicação ao supermercado Pinheiro & Carneiro, localizado no bairro João XXIII, em Fortaleza, a empresária Girlanda Carneiro construiu uma caminhada marcada por trabalho intenso, muito aprendizado e forte compromisso com o crescimento do negócio. “Comecei entendendo cada detalhe da operação, acompanhando de perto os desafios do dia a dia e participando ativamente das decisões estratégicas”, conta a diretora.

Tendo atravessado momentos de expansão e de reinvenção, a empresária diz acreditar que foram essas experiências as responsáveis por fortalecer a atuação como gestora. Para ela, o grande diferencial da mulher na gestão de uma rede de supermercados está na capacidade de unir visão estratégica e sensibilidade humana. “Acredito que nossa conquista de espaço nesse mercado não se deve apenas à busca por representatividade, mas à nossa competência e preparo. Desafios sempre existirão em qualquer área, mas o que percebo é uma evolução significativa. A mulher vem mostrando, na prática, que pode estar à frente de grandes operações com excelência e equilíbrio”, analisa Girlanda.

Já a empresária Ana Paula Dantas, CEO do Grupo Dantas e associada da Rede Uniforça, carrega uma relação com o varejo que começou ainda na infância. Desde os 7 anos acompanhava os pais nas compras para o negócio da família, até que, aos 17 anos, com a perda da mãe, precisou assumir a responsabilidade de conduzir a empresa junto ao pai e à irmã.

Hoje, única proprietária de lojas nos municípios de Solonópole e Jaguaretama, Ana Paula soma duas décadas de atuação no setor. Segundo ela, o fato de ser mulher e ter iniciado ainda adolescente em um mercado predominantemente masculino tornou o início da carreira um tanto desafiador. “Mas nós mulheres temos dinamismo, uma capacidade de resolução, perspicácia e uma sensibilidade aguçada para os negócios, e isso agrega muito”, comenta a empresária, provando ter contornado as adversidades. Para o futuro, a supermercadista imagina um setor de mais inovação, mulheres buscando aprendizado, crescendo em postos de liderança e, sobretudo, realizando seus sonhos.

Contratos bancários abusivos crescem no Brasil e podem transformar dívidas em armadilhas financeiras, alerta advogada especialista

Levantar e rever contratos pode reduzir custos e proteger consumidores contra juros e taxas indevidas

É cada vez mais comum encontrar contratos de crédito e financiamento contendo cláusulas abusivas,  com juros acima do praticado no mercado, taxas indevidas ou serviços incluídos sem necessidade, alertam especialistas em direito bancário. Essa realidade pode transformar um compromisso financeiro aparentemente comum em uma dívida difícil de pagar.

De acordo com um levantamento da plataforma jurídica Jusfy, com base em mais de 100 mil contratos analisados por advogados no primeiro semestre de 2024, quase 38% dos contratos de empréstimos firmados no país apresentaram abusividades, o que inclui juros excessivos e encargos ilegais. 

“Bancos e instituições financeiras frequentemente incluem encargos ou termos que o consumidor não é obrigado a aceitar. Isso eleva o custo da dívida sem que a pessoa perceba no momento da assinatura. Revisar contratos e buscar orientação jurídica pode reduzir significativamente os valores cobrados indevidamente e evitar que o débito se torne impagável”, afirma a Dra. Carolina Barreto, advogada especialista em direito bancário. 

Segundo ela, os impactos disso são sentidos quando o contrato é executado: taxas acima da média de mercado, serviços embutidos sem consentimento e cláusulas que encarecem o débito final. A especialista explica que, em muitos casos, isso faz com que consumidores vejam o montante da dívida crescer de maneira acelerada e além de sua capacidade de pagamento, justamente quando o orçamento familiar já está pressionado por inflação e custos de vida mais altos.

Dados divulgados pelo Banco Central e analisados por consultores jurídicos mostram que as taxas de juros praticadas em diversos tipos de crédito estão bem acima das médias de mercado, especialmente em cartões de crédito e cheque especial, modalidades historicamente associadas a encargos elevados. 

“A orientação para consumidores é que atentem para as taxas nominais e o Custo Efetivo Total (CET) antes de fechar um acordo financeiro e procurem ajuda especializada quando houver indícios de abusividade. Quando a taxa contratada está muito acima da média do mercado ou contém serviços não solicitados, é possível questionar o contrato judicialmente e buscar a revisão de valores”, conclui Dra. Carolina Barreto, advogada especialista em direito bancário.

ENEL CEARÁ REALIZA WORKSHOP SOBRE CHAMADA PÚBLICA DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Chamada Pública da Enel Ceará vai destinar R$ 8 milhões para projetos de eficiência energética

A Enel Distribuição Ceará realizará, no próximo dia 20, um workshop aberto ao público para apresentar os detalhes da Chamada Pública de Projetos (CPP) de Eficiência Energética 2026. O evento tem como objetivo orientar clientes e instituições interessadas sobre as regras do edital, a elaboração de diagnósticos energéticos e o processo de inscrição das propostas. As inscrições para o workshop já estão abertas e podem ser realizadas por meio do link: https://forms.office.com/e/65Gb2U1Ngr

A iniciativa integra o Programa de Eficiência Energética (PEE), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, e, neste ciclo, destinará R$ 8 milhões para projetos no Ceará. Os recursos contemplarão iniciativas dos segmentos comercial, residencial, industrial, rural, poder público e iluminação pública.

A Chamada Pública tem como objetivo incentivar o uso eficiente da energia elétrica, por meio da modernização de instalações, substituição de equipamentos ineficientes e adoção de novas tecnologias, promovendo economia de energia, redução de desperdícios e benefícios ambientais e sociais.

Podem participar clientes adimplentes com a distribuidora, com projetos voltados à redução do consumo, como modernização de sistemas de iluminação e climatização, substituição de equipamentos e implantação de geração distribuída, como usinas solares fotovoltaicas.

Uma das novidades desta edição é a possibilidade de inclusão de sistemas de armazenamento de energia em baterias (Battery Energy Storage Systems – BESS). A tecnologia permite armazenar energia para uso em horários estratégicos, otimizar o gerenciamento do consumo e ampliar os ganhos de eficiência energética. Os projetos com BESS poderão ser inscritos desde que estejam associados à implantação de geração distribuída, como a implantação de sistemas solares fotovoltaicos.

As propostas poderão ser submetidas até 1º de junho de 2026, às 17h, e serão avaliadas com base em critérios técnicos e econômicos, como potencial de economia de energia e relação custo-benefício.

Distribuição dos recursos por estado

Os recursos foram definidos de acordo com as características e demandas do estado.
Comércio e Serviços: R$ 2 milhões
Residencial: R$ 2 milhões
Demais tipologias (poder público, serviço público, rural, industrial): R$ 3 milhões
Iluminação Pública: R$ 1 milhão

Mais informações sobre a Chamada Pública estão disponíveis em : https://ce-cpp.enel.com/

Arte em grafite, assinada por Deco Farkas, funde história e cotidiano em Marechal Cândido Rondon

Cândido Mariano da Silva Rondon. Marechal do exército, engenheiro militar e sertanista. O homem que desbravou o “Brasil profundo” sob o lema “morrer se preciso for, matar nunca”, agora tem seu olhar fixo em quem caminha pelas ruas da cidade que leva seu nome. Mas os olhos que antes buscavam o horizonte para esticar fios de telégrafo hoje vigiam o asfalto em tons de verde, terra e sol.

Foi em Marechal Cândido Rondon, no oeste paranaense, que a cultura e a história, de mãos dadas, saltaram de documentos e livros para ocupar um paredão de mais de 80 metros. A ação, batizada de “O muro de Marechal”, é assinada pelo artista paulista Deco Farkas e viabilizada pela cooperativa Sicredi Aliança PR/SP. O projeto é a estampa da identidade do município, uma crônica visual sobre o que significa pertencer a esse chão.

Uma galeria em movimento

A extensão do concreto é uma narrativa, e quem percorre o muro viaja pela iconografia rondonense: uma capivara, um mate, roupas típicas germânicas, um campo, um trator, um Marechal que impactou a história do Brasil. Elementos que são vivos, que se movem e que refletem uma identidade local e regional. “Lá tem tanta informação que a pessoa vai passar 20 vezes e só reparar em um detalhe novo na vigésima quinta vez. Isso é o bacana da arte urbana: ela se revela aos poucos no cotidiano”, explica Farkas.

Deco Farkas pintou o Marechal Cândido Rondon, em Marechal Cândido Rondon. A curadoria do que deveria ocupar esses 80 metros de concreto não foi aleatória. Para o grafiteiro, a escolha de cada ícone passou por um filtro: “são elementos que fazem com que as pessoas sintam a cidade como é para elas”. Essa realidade representada em cores abraça a culinária, a música, a cultura e o sustento de um pequeno município repleto de história.

Fernando Fenner, presidente da Sicredi Aliança PR/SP, explica que a obra é um símbolo da conexão entre a cooperativa e a comunidade. “Os elementos presentes no muro — do esporte à gastronomia, do lazer à economia — são projetos que apoiamos e que fazem parte da nossa trajetória, pois a história do Sicredi e a de Marechal se conectam. Este mural é um presente em formato de arte. Agora, eternizamos essa parceria e o nosso apoio à cultura de Marechal através deste painel”, afirma Fenner.

“Ninguém conhece e aposta tanto no desenvolvimento local como o Sicredi. Transcendemos as centenas de projetos sociais, culturais, econômicos, esportivos, educacionais, de entre tantas outras frentes, sempre de cunho coletivo, que apoiamos. São inúmeras pessoas beneficiadas diariamente com o impacto social de verdade que o cooperativismo acredita e propaga. Esse muro tem muito disso”, finaliza.

Feito de tempo, técnica e trabalho minucioso, o mural carrega memória. “Usamos tinta acrílica à base d’água, e pintamos com rolinhos e pincéis”, destaca Farkas. “Nós demoramos 10 dias para fazer as pinturas, sendo que 2 dias foram somente para traçar o desenho no muro, e mais 8 dias de preenchimento das áreas com a tinta, com a pintura propriamente dita”, completa.

Para o superintendente executivo de marketing do Sistema Sicredi, João Clark, “a arte tem a capacidade de ressignificar trajetos, mudar o humor, provocar reflexões. Se esse mural trouxer um respiro para quem está indo trabalhar, um sorriso para quem volta para casa, ou até mesmo um motivo de orgulho para quem vive aqui, já teremos atingido nosso propósito. Queremos que o mural se torne parte da rotina das pessoas, que gere conexão e que contribua para que cada trajeto seja um pouco mais leve, mais bonito e mais significativo.”

Um interior nacional

Essa costura entre o passado e o cotidiano ganha corpo por meio de um olhar que entende que a identidade de uma nação é forjada nas particularidades do interior. Ao viabilizar a obra, o foco recai sobre o fortalecimento dos vínculos com a terra que sustenta a cooperação. Integrando-se à paisagem, a iniciativa buscou converter o concreto em um gesto de retribuição e proximidade.

“Investir em uma ação cultural em Marechal Cândido Rondon é um reflexo direto da nossa essência cooperativa. Temos raízes profundas em cidades do interior, e é justamente nesses locais que aprendemos, diariamente, sobre cooperação, relacionamento, proximidade e pertencimento. Quando apoiamos um projeto cultural, estamos reafirmando esse compromisso: construir juntos uma sociedade mais próspera”, conta Clark.

Para quem passa pela Avenida Rio Grande do Sul, em Marechal, todos os dias, o trajeto agora é outro. É a prova de que, na correria do dia a dia, a arte ainda é o caminho mais curto entre uma pessoa e o lugar onde ela vive.

Confira mais sobre essa obra no insta @sicredialianca @decotreco

Festival Elas Dão o Tom celebra protagonismo feminino com programação gratuita

Evento promovido pelo Instituto de Música Jacques Klein integrou as ações do Mês das Mulheres com debates, vivência musical e apresentações artísticas protagonizadas por mulheres

O Instituto de Música Jacques Klein realizou, no último dia 14 de março, em Fortaleza, o Festival Elas Dão o Tom, um encontro cultural dedicado a celebrar o protagonismo feminino na música, nas artes e na sociedade. Com programação gratuita ao longo da tarde, o evento reuniu debates, vivência musical e apresentações artísticas, atraindo um público diverso e consolidando-se como um espaço de diálogo, reflexão e expressão cultural dentro das atividades do Mês das Mulheres.

A programação teve início com a exibição do filme de animação “Vida Maria” e de trechos do documentário “A Única Mulher na Orquestra”, que provocaram reflexões sobre a trajetória e os desafios enfrentados por mulheres ao longo da história. Em seguida, o público participou de uma roda de conversa sobre mulheres pioneiras que romperam barreiras e marcaram seus caminhos em diferentes áreas. O debate contou com a participação da assistente social Paloma Ciríaco, da jornalista Clara Dourado, da contrabaixista Ana Clara Alves, da educadora e empresária Sandra Valente e de Larissa Maia, fundadora do projeto Sangue Nosso, iniciativa voltada ao combate à pobreza menstrual.

Outro momento marcante do festival foi a vivência musical conduzida pelas musicistas e professoras do instituto Thais Amâncio e Emanuelle Barros. A atividade apresentou ao público obras de compositoras que marcaram a história da música erudita e contemporânea, proporcionando uma experiência sensível e educativa que destacou a contribuição feminina para a construção do repertório musical ao longo dos séculos.

O debate também ganhou espaço na roda de conversa “Mulher e mercado de trabalho”, que reuniu a produtora musical Alana Benevides, a cantora e compositora Bianca Cardial, a agente de proteção infantojuvenil Aryanne Chaves e Patrícia Serra, pedagoga e coordenadora do CEI Ana Amélia. Durante o encontro, as convidadas compartilharam experiências, desafios e reflexões sobre a presença feminina em diferentes campos profissionais, reforçando a importância de ampliar oportunidades e fortalecer redes de apoio entre mulheres.

O encerramento do festival foi marcado por um sarau cultural emocionante, reunindo alunas da Orquestra Jacques Klein e da Orquestra Juvenil Jacques Klein, além de participações especiais do quarteto de cordas A Corda Menina e das cantoras Luh Livia e Vits, artista que ganhou projeção nacional após participar do The Voice Brasil. O momento celebrou a diversidade de vozes femininas e evidenciou a música como ferramenta de expressão, pertencimento e transformação social.

Com participação ativa do público e apresentações marcadas pela sensibilidade e pelo talento das artistas convidadas, o Festival Elas Dão o Tom reafirmou o compromisso do Instituto de Música Jacques Klein com a valorização do protagonismo feminino e com a promoção de espaços culturais que ampliam o diálogo, a formação e a inclusão por meio da arte.

Possível fim da escala 6×1 pode exigir reorganização de equipes e custos nas empresas

A discussão sobre o fim da escala 6×1 tem mobilizado empresas, especialistas e entidades do setor produtivo. O modelo, em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com um dia de descanso, é comum em atividades que exigem funcionamento contínuo, como comércio, serviços, logística e indústria. O debate ocorre em meio a diferentes avaliações sobre os efeitos da medida, que envolvem desde qualidade de vida dos trabalhadores até impactos operacionais e financeiros para as empresas. 

Essa questão acompanha um movimento observado em outros países, o 4 Day Week, que passaram a testar jornadas reduzidas com foco em bem-estar e produtividade. No Brasil, porém, levantamento recente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indica que parte dos empreendedores vê a redução da jornada como um possível fator de melhoria na organização do trabalho e na qualidade de vida. Ao mesmo tempo, 32% dos pesquisados demonstra preocupação com impactos na rotina dos negócios, especialmente em atividades que exigem atendimento constante ao público.

No entanto, do ponto de vista jurídico, especialistas destacam que a discussão ainda está em fase legislativa, mas já exige atenção das empresas. Para Karinne Lima, advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho e sócia no escritório Lessa & Lima Associados, essa discussão envolve diferentes fatores, como produtividade, organização de turnos, riscos psicossociais e segurança jurídica nas relações de trabalho. “Independentemente do formato que venha a ser aprovado, as empresas precisarão avaliar como adaptar suas rotinas e contratos às eventuais mudanças na legislação”, afirma.

Entre os principais pontos de atenção estão a reorganização de escalas, a análise de custos operacionais e a revisão de modelos de gestão de pessoas, principalmente em face das exigências trazidas pela NR-01. Em setores com funcionamento diário ou horários estendidos, a possível redução da jornada pode demandar novas estratégias para garantir a continuidade das atividades, sem prejudicar o negócio nem a saúde física e mental dos trabalhadores.

“Mudanças legislativas que impactam a rotina de trabalho em uma empresa costumam exigir adaptação gradual. Por isso, é importante que as empresas acompanhem atentamente a tramitação das propostas e comecem a avaliar cenários dessa possível transição”, finaliza Karinne.

GWM Newhouse realiza experiência off-road em Fortaleza com veículos 4×4 em pista molhada

A GWM Newhouse, concessionária do Grupo New, promoveu, no último sábado (14), em Fortaleza, o evento “Modo 4×4 Ativado”, iniciativa voltada à demonstração prática das capacidades off-road dos veículos da marca. A experiência reuniu convidados e entusiastas do setor automotivo em um circuito preparado para test drives em condições que simulavam diferentes tipos de terreno.

A atividade foi realizada em um espaço localizado na Rua Jornalista César Magalhães, no bairro Guararapes, ao lado do Museu do Automóvel do Ceará, onde foi montada uma pista com obstáculos planejados para reproduzir desafios comuns em percursos fora de estrada. Durante o evento, os participantes conduziram modelos da linha 4×4 da marca, incluindo GWM Poer, GWM H9 e GWM Tank, em um trajeto que destacou atributos como tração, estabilidade, capacidade de transposição de obstáculos e sistemas de assistência à condução.

Durante parte da programação, a chuva registrada na região alterou as condições da pista e tornou o percurso mais desafiador. O cenário contribuiu para ampliar o realismo da experiência, permitindo que os participantes observassem o comportamento dos veículos em superfícies molhadas e com menor aderência, situação frequente em trilhas e estradas off-road.

Além das atividades práticas, a equipe comercial da concessionária esteve disponível para apresentar características técnicas dos modelos, versões disponíveis no mercado brasileiro e informações sobre as condições de aquisição.

Segundo Bruno Vasconcelos, diretor de vendas da marca no grupo, as condições climáticas registradas durante o evento acabaram contribuindo para tornar a experiência ainda mais próxima das situações enfrentadas em percursos off-road, permitindo aos participantes observar na prática o comportamento dos veículos em um cenário de menor aderência e maior exigência de controle.

“A chuva acabou proporcionando um cenário bastante próximo do que se encontra em trilhas e terrenos off-road. Com a pista molhada, foi possível demonstrar na prática a eficiência dos sistemas de tração, estabilidade e controle dos veículos, permitindo que os participantes avaliassem o comportamento dos modelos em diferentes condições de terreno”, afirma.

Segundo o executivo, iniciativas como essa fazem parte da estratégia da concessionária de aproximar o público da experiência real de condução, especialmente em um segmento em que a vivência prática é considerada decisiva no processo de escolha do veículo.

“O segmento 4×4 valoriza muito a experiência direta com o produto. Quando o cliente tem a oportunidade de dirigir o veículo em um circuito preparado para esse tipo de uso, ele consegue compreender com mais clareza as capacidades técnicas e o desempenho do modelo”, destaca.

O evento integrou as ações da GWM Newhouse para ampliar a presença da marca no mercado regional e apresentar ao público experiências que evidenciem, de forma prática, os recursos tecnológicos e o desempenho dos veículos da montadora.

Música barroca encontra o romantismo popular no espetáculo Clássicos e canções no São Luiz 

Espetáculo da Orquestra Contemporânea Brasileira une clássicos de Bach e Vivaldi aos grandes sucessos de Genival Santos em uma noite especial com participação de Rodrigo Santos

A Orquestra Contemporânea Brasileira (OCB) apresenta, no dia 26 de março, às 19h, no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, o espetáculo “Clássicos e Canções”, um concerto especial que propõe um encontro musical inédito entre a música barroca europeia e o romantismo popular brasileiro. Os ingressos já estão disponíveis pela plataforma Sympla, com valores que variam entre R$ 30 e R$ 120, de acordo com o setor e modalidade (inteira ou meia).

A apresentação convida o público a vivenciar uma experiência única, na qual a força e a delicadeza de obras consagradas da música clássica se encontram com sucessos marcantes da música romântica popular. No repertório, clássicos como “Ária da Suíte Orquestral nº 3”, de Johann Sebastian Bach, “A Primavera”, de Antonio Vivaldi, e “Jesus, Alegria dos Homens” dividem o mesmo palco com canções inesquecíveis de Genival Santos, entre elas “Sendo Assim”, “Eu Não Sou Brinquedo” e “Se Errar Outra Vez”, em arranjos especiais preparados para orquestra.

O concerto contará ainda com a participação especial do cantor Rodrigo Santos, filho de Genival Santos, que sobe ao palco para interpretar alguns dos maiores sucessos de seu pai, trazendo emoção e memória afetiva ao espetáculo.

Reconhecida por criar pontes entre o universo erudito e a música popular, a Orquestra Contemporânea Brasileira, sob regência do maestro Arley França, transforma o repertório em uma experiência sonora envolvente. A apresentação promete uma noite marcante, capaz de emocionar admiradores da música clássica e fãs da canção romântica brasileira — uma celebração para ficar na memória e no coração do público.

Serviço
Espetáculo: Clássicos e Canções
Data: 26 de março de 2026 (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Cineteatro São Luiz – Fortaleza

Ingressos: disponíveis pela plataforma Sympla.
(Conforme a Lei nº 12.933, de 26 de dezembro de 2023, o benefício da meia-entrada é assegurado em 40% do total de ingressos disponíveis.)

  • Plateia Inferior I: R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia)
  • Plateia Inferior II: R$ 100 (inteira) / R$ 50 (meia)
  • Plateia Superior: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia)

Participação especial: Rodrigo Santos
Regência: Maestro Arley França
Realização: Orquestra Contemporânea Brasileira (OCB)

Foto: Davi Probo

Receita Federal divulga regras do IR 2026; declaração começa em 23 de março

A Receita Federal divulgou nessa segunda-feira as regras do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 (IRPF 2026), referente aos rendimentos obtidos ao longo de 2025. O prazo para envio da declaração esse ano será mais curto, começando em 23 de março e terminando em 29 de maio.

Embora as bases da tributação permaneçam praticamente as mesmas, especialistas apontam que a principal mudança estrutural não está nas alíquotas, mas no nível crescente de monitoramento digital das informações financeiras dos contribuintes.

Para o contador tributarista e professor universitário André Charone, a evolução do sistema fiscal brasileiro tem transformado a forma como o contribuinte precisa encarar a declaração.

“Hoje a declaração deixou de ser apenas um formulário preenchido pelo contribuinte. Na prática, ela funciona como uma validação de dados que já estão na base da Receita Federal.”

Segundo ele, a tendência é que o processo fique cada vez mais automatizado nos próximos anos.

Quem precisa declarar o Imposto de Renda em 2026

A declaração do IRPF 2026 é obrigatória para pessoas físicas que, em 2025, se enquadraram em pelo menos uma das seguintes situações:

receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584;
receberam rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte superiores a R$ 200 mil;
realizaram operações em bolsa de valores;
tiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos;
possuíam patrimônio superior a R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025;
tiveram receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920.

De acordo com Charone, muitos contribuintes ainda cometem erros básicos na avaliação da obrigatoriedade.

“Existe um mito muito comum de que só precisa declarar quem tem imposto a pagar. Na realidade, a obrigatoriedade está muito mais ligada ao volume de renda e patrimônio do que ao imposto devido.”

Declaração pré-preenchida ganha protagonismo

Um dos pilares da estratégia da Receita Federal para reduzir erros e aumentar a fiscalização é o avanço da declaração pré-preenchida.

Nesse modelo, o sistema já importa automaticamente informações recebidas de diversas fontes, como:

empresas empregadoras;
bancos e instituições financeiras;
corretoras de valores;
planos de saúde;
cartórios;
plataformas de investimento.

Isso reduz o tempo de preenchimento, mas também amplia o potencial de cruzamento de dados.

“A Receita recebe hoje informações praticamente em tempo real de várias instituições. Qualquer inconsistência entre esses dados e a declaração tende a ser rapidamente identificada”, explica Charone.

Investimentos e patrimônio estão cada vez mais no radar

Outro foco crescente da fiscalização envolve investimentos financeiros, principalmente aqueles realizados fora do Brasil.

O contribuinte precisa informar na declaração:

contas bancárias no exterior;
aplicações financeiras internacionais;
participação societária em empresas estrangeiras;
criptoativos.

Segundo Charone, esse movimento acompanha uma tendência global de maior transparência fiscal.

“Hoje existe cooperação internacional entre autoridades tributárias. Informações financeiras que antes eram difíceis de rastrear passaram a circular entre os países.”

Restituições serão pagas entre maio e agosto

A Receita Federal também divulgou o calendário de restituições para 2026. Os pagamentos serão feitos em quatro lotes:

29 de maio
30 de junho
31 de julho
28 de agosto
Continuam tendo prioridade:

idosos;
pessoas com deficiência ou doença grave;
professores;
contribuintes que utilizarem declaração pré-preenchida e Pix.

Nova faixa de isenção não entra nesta declaração

Uma das dúvidas mais frequentes dos contribuintes envolve a nova política de redução do imposto para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Apesar de já ter sido anunciada pelo governo, essa mudança não afeta a declaração de 2026, pois ela se refere aos rendimentos obtidos em 2025.

“Essa nova faixa de isenção impacta a tributação mensal a partir de 2026. O efeito real disso só aparecerá na declaração que será entregue em 2027”, afirma Charone.

Fiscalização digital deve crescer nos próximos anos

Com a ampliação das bases de dados e o avanço da tecnologia, especialistas avaliam que o sistema tributário brasileiro tende a se tornar cada vez mais automatizado.

Na prática, isso significa que a Receita Federal depende cada vez menos de auditorias manuais e cada vez mais de cruzamento automatizado de informações.

“O contribuinte precisa entender que o ambiente fiscal mudou. Hoje praticamente toda movimentação financeira relevante deixa algum tipo de rastro digital.”

Para Charone, esse novo cenário exige maior organização financeira por parte das pessoas físicas.

“Quem mantém registros organizados de renda, patrimônio e investimentos dificilmente terá problemas com o Fisco. O maior risco hoje está na desorganização.”

Sobre André Charone

André Charone é contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA).

É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional.

Seu mais recente trabalho é o livro “Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática”, em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.

Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/