Junho Violeta: sete sinais para identificar maus-tratos contra pessoas idosas

O dia 15 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, data que reforça a importância do combate aos maus-tratos, à negligência e ao abandono. A campanha Junho Violeta busca alertar a sociedade para um problema que afeta milhares de brasileiros e que, muitas vezes, acontece dentro do ambiente familiar.

As mulheres idosas são as principais vítimas das violações registradas pelo Disque 100, e grande parte das ocorrências acontece dentro do ambiente familiar, muitas vezes praticadas por filhos, parentes ou pessoas próximas. Entre as violações mais comuns estão negligência, abandono, maus-tratos, violência psicológica e violência patrimonial.

Segundo o coordenador do curso de Direito da Estácio Ceará, Joviano Sousa, a violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis, o que exige atenção redobrada de familiares, vizinhos e profissionais de saúde. “Muitas vezes a violência contra a pessoa idosa acontece dentro de casa e é praticada por alguém de confiança da vítima. Por isso, é fundamental que familiares, vizinhos e profissionais estejam atentos aos sinais. A denúncia é um instrumento essencial para interromper o ciclo de violência e garantir a proteção e a dignidade dessas pessoas”, afirma.

Sete sinais de alerta

1. Falta de apetite ou perda de peso sem causa aparente
Mudanças repentinas nos hábitos alimentares podem indicar sofrimento emocional, negligência ou até privação de alimentos.

2. Mudanças bruscas de comportamento
Tristeza constante, irritabilidade, medo ou isolamento repentino podem ser sinais de violência psicológica.

3. Higiene precária
Falta de cuidados básicos com a higiene pessoal e o ambiente podem indicar abandono ou negligência.

4. Hematomas e ferimentos frequentes
Machucados recorrentes ou explicações inconsistentes para lesões merecem atenção.

5. Danos frequentes a objetos de uso pessoal
Óculos quebrados e outros pertences danificados podem ser indícios de agressões físicas.

6. Isolamento social
O afastamento de familiares, amigos e atividades habituais pode estar relacionado a situações de violência ou abuso.

7. Medo excessivo do cuidador
Nervosismo, submissão ou silêncio diante de determinada pessoa podem indicar uma relação marcada por ameaças ou agressões.

Como denunciar

Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, canal gratuito de recebimento de denúncias de violações de direitos humanos. Em situações de emergência ou risco iminente, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Também é possível buscar apoio em unidades de saúde, delegacias e órgãos de proteção à pessoa idosa. A denúncia pode ser feita mesmo quando existem apenas indícios de violência, cabendo aos órgãos competentes realizar a investigação.

TCE-SP investiga contrato de R$ 475 milhões sem licitação e coloca Muralha Paulista sob suspeita

O programa Muralha Paulista, uma das principais vitrines da política de segurança pública do governador Tarcísio de Freitas, entrou na mira do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). O órgão abriu o procedimento TC-009895.989.26-6 para fiscalizar e apurar possíveis irregularidades em um contrato de R$ 475,8 milhões firmado sem licitação para a ampliação do sistema de monitoramento inteligente do Estado.

A investigação do tribunal foi iniciada a partir de denúncias do advogado Dorival Assis Júnior e do deputado estadual de São Paulo, Luiz Fernando Teixeira (PT), que chamou a Prodesp de “cavalo de troia” para a contratação direta da Paladium Corp.

O foco da investigação recai sobre a forma de contratação adotada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) e pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), que firmaram acordo para aquisição de equipamentos e tecnologias da empresa Paladium Corp por meio de um modelo que dispensou a realização de concorrência pública.

A decisão de aprofundar a fiscalização foi tomada pelo conselheiro Dimas Ramalho, que determinou que a SSP, a Prodesp e a Paladium Corp apresentassem esclarecimentos e justificativas em até três dias úteis.

Empresa privada no centro da operação

No centro da controvérsia está a Paladium Corp, empresa do cearense David Peixoto, responsável pelo fornecimento do projeto de videomonitoramento. A empresa tem como diretor, o ex-secretário de Segurança Pública do Estado do Ceará e ex-servidor da Polícia Federal, Sandro Caron.

Segundo documentos analisados pelo TCE-SP, a contratação ocorreu em duas etapas. Primeiro, em março deste ano, a Prodesp firmou com a Paladium Corp um acordo classificado como “parceria em oportunidade de negócio”, com vigência de 60 meses. Por ter natureza associativa, o instrumento não gerou obrigações financeiras imediatas.

Em seguida, em abril, a própria Prodesp assinou com a Secretaria da Segurança Pública um contrato administrativo de R$ 475,8 milhões, também válido por cinco anos, para ampliar e manter o sistema da Muralha Paulista. A tecnologia fornecida pela Paladium foi então repassada à SSP, numa engenharia contratual que permitiu a dispensa de licitação.

A empresa, oficialmente registrada como Paladium Corp Desenvolvimento de Tecnologia Ltda., recentemente trocou o nome e marca e agora atua comercialmente sob o nome Pax. A mudança de identidade ocorreu em meio ao aumento de questionamentos e investigações envolvendo contratos públicos da companhia. Apesar da nova marca, o CNPJ, os administradores e a estrutura societária permanecem os mesmos da empresa original.

Denúncias apontam possível manobra

A investigação foi motivada por denúncias apresentadas pelo advogado Dorival Assi Júnior e pelo deputado estadual Luiz Fernando Teixeira. O parlamentar sustenta que a Prodesp teria sido utilizada como uma espécie de intermediária para viabilizar a contratação direta da empresa privada.

Em uma das representações encaminhadas ao tribunal, Teixeira classificou a estatal como um “cavalo de troia” para a contratação da Paladium Corp sem o devido processo licitatório.

Os denunciantes questionam se a estrutura contratual teria sido utilizada para contornar as exigências legais de competição entre fornecedores, especialmente diante do elevado valor envolvido e da relevância estratégica do projeto.

Pressão política sobre programa estratégico

A abertura da fiscalização representa um novo foco de pressão sobre uma das principais apostas da gestão Tarcísio na área de segurança pública. O Muralha Paulista foi concebido para integrar tecnologias de vigilância e inteligência, ampliando a capacidade de monitoramento em municípios paulistas e reforçando o combate ao crime organizado.

Agora, além dos desafios operacionais, o programa enfrenta questionamentos sobre a legalidade e a transparência dos procedimentos adotados para sua expansão.

A decisão do TCE-SP evidencia a preocupação do órgão de controle com o modelo de contratação escolhido e com o papel desempenhado pela Prodesp e pela Paladium Corp na execução de um dos maiores contratos da atual administração estadual.

A análise das justificativas apresentadas pelos envolvidos deverá indicar se o contrato poderá ser alvo de medidas cautelares e aprofundamento das investigações por parte da Corte de Contas.

Pax enfrenta questionamentos também no Paraná

Um dossiê obtido pelo jornal Gazeta do Paraná aponta a participação da empresa Paladium Corp, atualmente denominada de Pax, na operação tecnológica do programa Olho Vivo, no Paraná, ampliando os questionamentos já enfrentados pela companhia em outros estados.

Segundo o documento, a empresa atua no processamento de dados e na operação de ferramentas de videomonitoramento. O material descreve acesso a informações sensíveis, incluindo mandados de prisão, registros de pessoas desaparecidas, veículos roubados e dados biométricos, por meio de integrações entre sistemas públicos e privados.

O dossiê também indica que os dados são processados em ambientes de computação em nuvem operados por empresas internacionais, fora da infraestrutura física do Estado. Registros internos da Celepar citam o desenvolvimento de APIs para consumo de informações da segurança pública, reforçando a integração entre as plataformas.

As informações contrastam com a versão oficial do governo do Paraná, que atribui à Celepar a execução do sistema sem detalhar a participação de empresas privadas nem a arquitetura tecnológica utilizada.

O documento ainda levanta dúvidas sobre a execução do programa, que pode superar R$ 1 bilhão em investimentos, apontando ausência de estudos técnicos prévios, implantação de estruturas sem licenciamento em alguns municípios e falta de transparência sobre contratos relacionados ao sistema.