A Crise Política e Social no Brasil: O Desafio de Governar em Meio à Polarização e ao Abandono
*Mário Feitoza
A atual conjuntura política brasileira apresenta desafios que se refletem nas eleições e na governabilidade dos estados e municípios. Um exemplo claro disso é a dificuldade de eleger governadores e prefeitos do mesmo partido ou grupo político em um estado. No Ceará, figuras como Sarto e Evandro enfrentam grandes obstáculos para consolidar suas posições, uma vez que é raro um estado alinhar-se completamente com uma única força política. Essa dificuldade se agrava ainda mais em um contexto de intensa polarização política, onde as escolhas parecem se limitar a dois polos: Bolsonaro e Lula.
A falta de uma terceira via sólida coloca o eleitorado diante de um dilema: aceitar o cenário atual de desmandos, injustiças, corrupção e desarranjos, ou lutar por valores como liberdade, emprego, família, justiça, ordem, segurança e proteção das fronteiras. É uma escolha que transcende as preferências políticas e atinge o âmago das preocupações sociais e econômicas da população.
A região dos Inhamuns, no Ceará, exemplifica essa crise. Dominada pelo tráfico de drogas, com poucas oportunidades de trabalho para os jovens e sem qualquer tipo de indústria para fomentar o desenvolvimento local, as famílias são abandonadas à própria sorte. A migração em massa para São Paulo e Minas Gerais se tornou uma realidade, transformando as rodoviárias em palcos de despedidas semanais. É com lágrimas nos olhos que pais e mães veem seus filhos partirem em busca de uma vida melhor, longe de casa.
Enquanto isso, aqueles que ficam enfrentam a ameaça constante das facções criminosas, que dominam as comunidades sem a presença eficaz do Estado. Esse quadro de degradação social não se limita ao Ceará; ele se espalha pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, onde o abandono por parte do poder público é evidente.
Brasília, por sua vez, já não consegue absorver o êxodo nordestino. As cidades satélites estão inchadas de migrantes que buscam uma vida mais digna, mas encontram uma capital esgotada e sem estrutura para atender às demandas de todos. O cenário é desolador, e a solução parece cada vez mais distante.
A triste realidade das famílias brasileiras nas regiões mais pobres do país reflete a falta de políticas públicas eficazes, bem como a ausência de um plano nacional de desenvolvimento que contemple as particularidades regionais. Enquanto não houver uma mudança estrutural profunda, com investimentos em educação, segurança e geração de empregos, essa situação de abandono e degradação tende a se perpetuar, deixando milhões de brasileiros sem perspectiva de futuro.
*Mário Feitoza é engenheiro e administrador de empresas, com especialização em economia e finanças; agropecuarista, empresário e ex-deputado Federal.
