Carnaval sustentável: especialista explica como pequenas atitudes podem reduzir impactos ambientais

O carnaval é uma das maiores manifestações culturais do país, marcada pela alegria, diversidade e ocupação dos espaços públicos. No entanto, esse período também é responsável por um aumento expressivo na geração de resíduos sólidos, especialmente plásticos de uso único, latas de alumínio, copos descartáveis, embalagens de alimentos, bitucas de cigarro e resíduos de fantasia e maquiagem. Em poucos dias de festa, a quantidade de lixo produzida pode ser equivalente a semanas da rotina normal da cidade, sobrecarregando os serviços de limpeza urbana.

Conforme a engenheira ambiental do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), Jeftha Amanda, o descarte inadequado desses resíduos representa um grave problema ambiental, social e de saúde pública. “Quando jogado nas ruas, o lixo pode entupir bueiros e galerias pluviais, provocando alagamentos e contribuindo para a proliferação de vetores de doenças, como mosquitos e roedores”, afirma.  Muitos resíduos acabam sendo levados pela chuva para rios, lagoas e mares, causando poluição hídrica, morte de animais por ingestão ou aprisionamento e contaminação dos ecossistemas aquáticos.

Glitter 

Um problema muitas vezes invisível, mas extremamente impactante, é o uso do glitter comum durante o Carnaval. “O glitter tradicional é composto por microplásticos, partículas minúsculas de plástico que não se degradam facilmente no ambiente. Após o uso, esse material é lavado do corpo ou das roupas e segue diretamente para o sistema de drenagem, alcançando rios e oceanos. Por serem muito pequenas, essas partículas não são totalmente retidas nas estações de tratamento de esgoto, acumulando-se no ambiente aquático”, explica a engenheira. 

Os microplásticos presentes no glitter podem ser ingeridos por peixes, crustáceos e outros organismos, entrando na cadeia alimentar e representando riscos ao equilíbrio dos ecossistemas e à saúde humana. Além disso, essas partículas podem permanecer no ambiente por décadas, tornando o impacto do glitter comum duradouro e cumulativo.

Descartáveis

Outro ponto crítico é que grande parte dos resíduos gerados nesse período é reciclável, mas, ao ser misturada com lixo orgânico ou descartada incorretamente, perde seu potencial de reaproveitamento. Isso aumenta o volume destinado a aterros sanitários, reduz sua vida útil e agrava os impactos ambientais, como a emissão de gases de efeito estufa e a contaminação do solo e da água.

Medidas

Diante desse cenário, a mudança de comportamento é fundamental. Pequenas atitudes individuais, quando somadas, têm um impacto coletivo significativo e contribuem para uma cidade mais limpa, resiliente e sustentável, como, por exemplo, adote uma garrafa de água reutilizável, utilize ecobags ou mochilas para evitar sacolas plásticas, descarte os resíduos em coletores, separando os recicláveis, opte por glitter biodegradável ou maquiagens ecológicas, evitando microplásticos, reduza o uso de copos, pratos e talheres descartáveis.

Por fim, para curtir o Carnaval de forma responsável e sem agredir o meio ambiente, planeje-se levando apenas o necessário para as festas, evitando o excesso de embalagens e conscientizando amigos e familiares sobre a importância do descarte correto dos resíduos.

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