Golpe do falso advogado exige atenção redobrada de clientes e reforça alerta de especialistas
Criminosos usam dados reais para aplicar fraudes e pedir pagamentos indevidos
O avanço das fraudes digitais no Brasil tem levado autoridades e entidades do sistema de Justiça a reforçarem o alerta para o chamado “golpe do falso advogado”, uma prática criminosa que tem feito milhares de vítimas em todo o país. Nesse tipo de fraude, criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios para enganar pessoas que possuem processos em andamento e induzi-las a realizar pagamentos indevidos.
De acordo com entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os golpistas utilizam dados reais de processos judiciais — como número da ação, nomes das partes e andamento — para tornar a abordagem mais convincente. A partir dessas informações, entram em contato com as vítimas, geralmente por aplicativos de mensagens, informando falsamente que houve ganho de causa ou liberação de valores judiciais.
Na sequência, os criminosos criam um senso de urgência e afirmam que, para liberar o suposto valor, é necessário o pagamento antecipado de taxas ou custas processuais. Os valores costumam ser solicitados via PIX ou transferência bancária para contas de terceiros, prática que não condiz com a atuação regular da advocacia.
O golpe tem se tornado cada vez mais sofisticado. Há registros do uso de documentos falsificados, linguagem jurídica, perfis fraudulentos em redes sociais e até mesmo áudios e mensagens que simulam a identidade de profissionais reais, o que dificulta a identificação imediata da fraude.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que a principal forma de prevenção é a cautela diante de contatos inesperados. A recomendação é desconfiar de qualquer mensagem ou ligação que informe liberação de valores mediante pagamento antecipado, especialmente quando acompanhada de urgência. Também é fundamental confirmar qualquer informação diretamente com o advogado de confiança, utilizando canais já conhecidos, e nunca realizar transferências para contas indicadas por terceiros sem a devida verificação.
Outro ponto de atenção é a verificação da identidade do profissional. A própria OAB disponibiliza ferramentas para consulta de registro de advogados, além de orientar que cidadãos entrem em contato com as seccionais em caso de suspeita. A entidade, inclusive, tem atuado em conjunto com o Ministério da Justiça e órgãos de segurança pública para fortalecer o combate a esse tipo de crime, que já é tratado como uma questão nacional de segurança.
Caso a pessoa perceba que foi vítima do golpe, é essencial agir rapidamente. A orientação é interromper qualquer contato com o golpista, comunicar imediatamente o banco para tentar bloquear ou rastrear a transação, registrar um boletim de ocorrência e também informar o caso à OAB do seu estado. Essas medidas aumentam as chances de investigação e podem ajudar a evitar novas vítimas.
Para especialistas, a informação segue sendo a principal aliada da população no enfrentamento desse tipo de fraude. “Os criminosos se aproveitam de dados reais e da confiança das pessoas para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Por isso, é fundamental desconfiar de qualquer solicitação de pagamento antecipado e sempre validar as informações diretamente com o advogado responsável pelo caso”, afirma Matheus Nogueira, diretor jurídico do Cerus.
Com o crescimento desse tipo de crime, o alerta é direto: nenhuma liberação de valores judiciais exige pagamento prévio ao cliente. Em caso de dúvida, a orientação é sempre verificar, confirmar e evitar decisões precipitadas que possam resultar em prejuízos financeiros.
