Voluntariado transforma estudantes em multiplicadores do conhecimento sobre a Caatinga

Em referência ao Dia Nacional do Voluntariado, a Associação Caatinga apresenta o programa Liga da Caatinga, que reúne voluntários dedicados à educação ambiental e à disseminação de conhecimentos sobre a conservação do bioma.

Em alusão ao Dia Nacional do Voluntariado, celebrado nesta sexta-feira (28), a Associação Caatinga destaca o programa de voluntariado Liga da Caatinga. Atualmente, 10 voluntários colaboram com ações de educação ambiental como monitores da exposição “Caatinga, um novo olhar”, em cartaz na Seara da Ciência, da Universidade Federal do Ceará (UFC). 

O voluntariado da Associação Caatinga reúne pessoas com trajetórias diferentes, mas que têm em comum o desejo de dedicar parte do seu tempo à conservação do bioma e ao cuidado com o meio ambiente. O grupo atual, que atua na exposição, é formado por estudantes de ciências ambientais e oceanografia, além de um professor de geografia. 

Com carga horária mínima de oito horas semanais, os voluntários atuam de forma colaborativa em ações de educação ambiental, compartilhando conhecimento sobre a Caatinga e contribuindo para a valorização e conservação do bioma. Os voluntários conduzem visitantes, individualmente ou em grupos, e colaboram com a atualização dos conteúdos apresentados na exposição.

Para muitos dos estudantes, a experiência também representa uma oportunidade de formação. O certificado de voluntariado pode ser utilizado para a composição das horas complementares exigidas pelos cursos de graduação, além de proporcionar contato direto com atividades de educação ambiental, comunicação científica e atendimento ao público. 

“Os voluntários têm um papel muito importante na nossa missão de aproximar a sociedade da Caatinga. Ao compartilhar conhecimento, receber visitantes e contribuir com a educação ambiental, eles ajudam a despertar um novo olhar para o bioma e para a necessidade de conservá-lo. É uma atuação que gera impacto para quem visita a exposição, mas também para os próprios voluntários, que ampliam seus conhecimentos e experiências ao longo dessa jornada”, afirma Cássia Pascoal, coordenadora de Relacionamento Comunitário e Educação Ambiental da Associação Caatinga.

Exposição gratuita “Caatinga: Um Novo Olhar – Entre Nesse Clima”

Organizada pela Associação Caatinga, a exposição gratuita “Caatinga: Um Novo Olhar – Entre Nesse Clima”, está em cartaz na Seara da Ciência da Universidade Federal do Ceará (UFC). A mostra reúne 15 painéis interativos que revelam a biodiversidade do bioma, suas paisagens e a urgência de sua conservação. A proposta é conectar o público urbano à riqueza do semiárido. 

A experiência é autoguiada, mas grupos a partir de 10 pessoas devem necessário realizar agendamento prévio na Seara da Ciência para o acompanhamento de um monitor durante a visita. As visitas acontecem de segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã e da tarde, com horários de agendamento às 8h30 e 10h, pela manhã, e às 13h30 e 15h, à tarde. O agendamento pode ser feito por meio do link: https://seara.ufc.br/pt/agendamento/. Quem não puder se deslocar até o espaço, pode conhecer a exposição por meio de um tour virtual acessando o link https://www.noclimadacaatinga.org.br/exposicao-caatinga-um-novo-olhar.

Sobre a Associação Caatinga

A Associação Caatinga é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, cuja missão é conservar a Caatinga, difundir suas riquezas e inspirar as pessoas a cuidar da natureza. Desde 1998, atua na proteção da Caatinga e no fomento ao desenvolvimento local sustentável, incrementando a resiliência de comunidades rurais à semiaridez e aos efeitos do aquecimento global.

Crédito rural cresce 46% no Ceará e chega a R$ 3,17 bilhões, aponta BC

O crédito rural concedido no Ceará chegou a R$ 3,17 bilhões nos 12 meses encerrados em julho de 2026, uma alta de 46,2% em relação ao mesmo período anterior (quando registrou R$ 2,17 bilhões). O avanço foi puxado principalmente pela agricultura familiar, que recebeu R$ 1,93 bilhão por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Os dados são do Banco Central e reúnem operações realizadas por instituições públicas e privadas. Na comparação com o ciclo anterior, o volume destinado ao Pronaf aumentou 52%, passando de R$ 1,27 bilhão para R$ 1,93 bilhão. Com isso, o programa passou a representar cerca de 61% (aproximadamente três quintos) de todo o crédito rural concedido no Ceará no período.

Para Marcos Barbosa, Consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, a participação do Pronaf ajuda a dimensionar o peso dos pequenos produtores na movimentação do crédito rural cearense.

“Os números mostram que a agricultura familiar tem uma participação central no crédito rural do Ceará. O crescimento do Pronaf indica uma ampliação dos recursos destinados a produtores que dependem do financiamento para custeio, investimento e estruturação da atividade produtiva”, afirma o especialista.

Segundo ele, o crescimento também precisa ser observado em conjunto com as características da produção rural do Estado. “O crédito rural não representa apenas o recurso disponibilizado, mas a possibilidade de financiar etapas diferentes da produção. O comportamento das linhas mostra que há demanda tanto para a atividade produtiva quanto para aquisição de terra, armazenagem e outras estruturas”, diz Barbosa.

Além do Pronaf, destaca-se também o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que cresceu 52%, saltando de R$ 106,84 milhões para R$ 162,11 milhões; e o Inovagro, que teve uma expressiva alta de 248%, passando de R$ 12,52 milhões para R$ 43,54 milhões. Por outro lado, o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF/FTRA) registrou recuo de 11,54%, passando de R$ 33,74 milhões no ciclo anterior para R$ 29,85 milhões até julho de 2026. A linha é destinada ao acesso à terra e à estruturação de propriedades rurais.

Cooperativismo amplia crédito para o agro

No Sicredi, o crédito destinado ao agronegócio também apresenta crescimento. A cooperativa é a instituição financeira privada que mais concede crédito rural no país. Para o Plano Safra 2026/2027, o Sicredi prevê disponibilizar R$ 72,1 bilhões aos produtores rurais em cerca de 340 mil operações, 4,4% acima dos R$ 69 bilhões concedidos no ciclo anterior.

A carteira de crédito agro do sistema soma R$ 121 bilhões. A instituição também prevê R$ 13,3 bilhões para a agricultura familiar e R$ 14,6 bilhões para produtores de médio porte. Segundo os dados apresentados pelo Sicredi, pequenos e médios produtores concentram 88% das operações previstas.

No Ceará, a carteira de crédito rural do Sicredi chegou a R$ 106,76 milhões em julho de 2026, registrando um crescimento superior a 400% em relação aos R$ 20,95 milhões apurados em dezembro de 2024. O apoio ao produtor inclui, além do crédito para custeio e investimento, produtos como consórcios para máquinas e equipamentos, seguros rurais, investimentos e soluções de meios de pagamento.

“O crédito rural tem um papel que vai além do financiamento da produção. Quando o recurso chega ao produtor, ele movimenta toda uma cadeia econômica, gera renda no campo e contribui para a permanência das famílias na atividade rural. Também é um instrumento importante para a produção de alimentos e para a segurança alimentar, porque fortalece quem está diretamente envolvido na produção. Apoiar essas pessoas é também contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado e para a sustentabilidade das comunidades rurais”, afirma Marcos Barbosa.

Fundação Edson Queiroz lança campanha Doe de Coração 2026 no dia 1º de setembro

Desde os primeiros esboços, a identidade da Doe de Coração 2026 revelou cores vivas que se ramificam como veias e galhos, lembrando artérias. Foto: Divulgação

A Fundação Edson Queiroz lança, no dia 1º de setembro, às 9h, a Campanha Doe de Coração 2026, iniciativa que promove, anualmente, a conscientização sobre a importância da doação de órgãos. A solenidade será realizada no Auditório da Biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor) e marca o início de uma programação que se estende durante todo o mês de setembro.

O lançamento contará com a presença da presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, além de depoimentos de embaixadores da campanha, homenagens e palestra de Mônica Maria Paiva Lima, enfermeira do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC/UFC) e da Central Estadual de Transplantes do Ceará. 

Em 2026, a campanha é liderada pelo médico e professor de Atenção Primária à Saúde da Unifor Lourrany Borges Costa, docente e coordenador-adjunto do curso de Medicina da Universidade. Doutor em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (UFC), o professor possui experiência em pesquisa e saúde global.

Arte e medicina na identidade da campanha

A edição deste ano também marca a participação do artista cearense Hélio Rôla, responsável pela reestilização da identidade visual da Doe de Coração. Médico de formação e artista com trajetória nacional e internacional, Rôla desenvolveu uma linguagem visual inspirada em elementos que remetem à vida, à natureza e ao corpo humano.


A nova identidade apresenta cores vivas e formas que se ramificam como veias e galhos, em referência às artérias. Folhas e outros elementos naturais envolvem o coração, criando uma representação visual associada à renovação e à continuidade da vida.

Com a participação de Hélio Rôla, a Doe de Coração dá continuidade à tradição de convidar artistas cearenses para contribuir com a identidade da campanha. Em edições anteriores, a marca foi recriada por nomes como Wilson Neto, Ana Cristina Mendes, Stênio Burgos, Mário Sanders, Sérgio Helle, Francisco Delalmeida, Totonho Laprovítera, José Guedes e Narcélio Grud.
Programação

A campanha terá ações ao longo de todo o mês de setembro, com atividades voltadas à informação e à conscientização sobre a doação de órgãos, sangue e medula óssea.
Entre os destaques estão a Jornada Médica Doe de Coração, ações de cadastro de medula óssea e doação de sangue em parceria com o Hemoce, atividades de conscientização no campus da Unifor e em hospitais, além de uma ação na Praça do Ferreira e atividades durante a Semana da Responsabilidade Social.

Serviço
Lançamento da Campanha Doe de Coração 2026
Data: 1º de setembro de 2026 (terça-feira)
Horário: 9h
Local: Auditório da Biblioteca da Unifor

> Confira aqui a programação completa da Doe de Coração 2026

Toda criança fica doente, mas quando é hora de investigar a imunidade?

Infecções respiratórias são comuns na infância, principalmente após a entrada na escola, mas episódios graves ou recorrentes podem indicar a necessidade de avaliação médica_

Nariz escorrendo, tosse, febre e mais uma ida ao pediatra. Para muitas famílias com crianças pequenas, a sensação é de que um resfriado mal termina e outro já começa. A situação costuma ficar ainda mais frequente quando a criança passa a frequentar creches e escolas e aumenta o contato diário com outras pessoas.

Mas quando esse quadro faz parte do desenvolvimento esperado da infância e quando o famoso “vive gripado” merece uma investigação mais detalhada? A pediatra da Hapvida, Gorete Garcia, explica que infecções respiratórias recorrentes nem sempre significam que a criança tenha baixa imunidade. Nos primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda está amadurecendo e tendo contato com diferentes agentes infecciosos. É por isso que crianças pequenas podem apresentar diversos episódios de resfriados ao longo do ano, especialmente quando convivem com outras crianças.

“É muito comum os pais chegarem ao consultório preocupados porque a criança parece estar sempre resfriada. Muitas vezes, o que acontece é uma sequência de infecções virais diferentes. A frequência é aumentada principalmente após a criança começar a frequentar a escola. É preciso observar não apenas quantas vezes a criança adoece, mas a intensidade das infecções, como ela se recupera e como está seu crescimento e desenvolvimento”, explica Gorete.

Por que quem entra na escola costuma adoecer mais? A explicação está principalmente no aumento da exposição. Na creche ou na escola, a criança passa várias horas em contato próximo com outras crianças, compartilha ambientes e objetos e encontra uma variedade maior de vírus e outros agentes patógenos. Isso ajuda a explicar por que os episódios respiratórios podem parecer quase contínuos em determinadas fases. 

Um resfriado pode durar alguns dias e, pouco depois da recuperação, uma nova infecção pode surgir. A frequência, isoladamente, não é suficiente para diagnosticar uma alteração do sistema de defesa do corpo. “A criança está construindo sua memória imunológica ao longo dos primeiros anos. Quando entra em um ambiente coletivo, essa exposição aumenta bastante. Por isso, ter várias viroses não significa automaticamente ter uma imunodeficiência”, explica a pediatra.

Quando o ‘vive gripado’ merece atenção? Mais importante do que contar episódios é observar como essas doenças se apresentam. Infecções muito graves, difíceis de tratar ou que surgem repetidamente podem justificar uma avaliação mais aprofundada. Entre os sinais que chamam atenção estão pneumonias recorrentes, necessidade frequente ou prolongada de antibióticos, infecções incomuns ou persistentes, dificuldade para ganhar peso, internações repetidas e histórico familiar de imunodeficiência.

Sociedades de alergia e imunologia também consideram importantes sinais como infecções recorrentes de ouvido ou dos seios da face e infecções que não respondem ao tratamento esperado. “Quando temos uma criança que apresenta infecções de maior gravidade, precisa ser internada repetidamente, demora muito para responder ao tratamento ou não apresenta crescimento adequado, precisamos olhar para esse quadro de forma diferente. Nesses casos, o pediatra avalia o histórico e pode indicar exames ou encaminhamento para um especialista”, afirma Gorete.

É preciso pedir exames toda vez que a criança adoece? Não. Uma sequência de resfriados comuns em uma criança que cresce adequadamente, recupera-se bem entre os episódios e não apresenta infecções graves geralmente não é, por si só, indicação de uma extensa investigação imunológica.

A decisão de solicitar exames depende da história clínica, do tipo e da frequência das infecções, da resposta aos tratamentos e de outros sinais observados pelo pediatra. “O exame não deve ser pedido apenas porque a criança teve várias viroses. Primeiro precisamos entender o contexto. Se existem sinais de alerta, aí sim podemos iniciar uma investigação e, quando necessário, encaminhar para um imunologista pediátrico”, reforça a médica.

Existe alimento que “aumenta a imunidade”? Outro ponto que costuma gerar dúvidas é a busca por alimentos, vitaminas ou suplementos capazes de impedir que a criança fique doente. Não existe um único alimento que funcione como um “reforço” imediato para o sistema imunológico. O que contribui para o funcionamento adequado do organismo é uma alimentação variada e equilibrada, com oferta adequada de nutrientes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a importância de uma dieta diversificada, incluindo frutas, verduras, legumes, grãos e fontes de proteínas, para o crescimento e a saúde infantil. “Não existe um alimento milagroso para imunidade. O que funciona é o conjunto: uma alimentação adequada para a idade, sono de qualidade, atividade física, vacinação e acompanhamento da saúde da criança”, destaca Gorete.

O mesmo cuidado vale para vitaminas e suplementos. O uso sem orientação médica não deve substituir a avaliação da alimentação ou de uma possível deficiência nutricional. “Suplementar sem necessidade não significa deixar a criança mais protegida. Vitaminas devem ser indicadas de acordo com a idade, a alimentação e as necessidades identificadas pelo profissional que acompanha aquela criança”, orienta.

Vacinação e hábitos de prevenção fazem diferença: Manter a vacinação atualizada é uma das principais medidas para proteger crianças contra doenças infecciosas e suas complicações. Medidas simples de higiene também ajudam a diminuir a transmissão de vírus respiratórios, como lavar as mãos regularmente e ensinar a criança a cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar.

Sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física apropriada para a idade também devem fazer parte de uma rotina saudável. Para Gorete Garcia, mais importante do que tentar impedir qualquer doença é acompanhar a saúde da criança como um todo. “Ficar doente algumas vezes faz parte da infância e não significa necessariamente que exista um problema de imunidade. O alerta aparece quando as infecções fogem do padrão esperado, seja pela gravidade, pela dificuldade de tratamento ou por outros sinais associados. O acompanhamento regular com o pediatra é importante justamente para diferenciar uma situação comum de outra que precisa ser investigada.”

Assim, diante daquela sensação de que a criança “vive gripada”, o número de episódios conta apenas uma parte da história. Como ela adoece, como se recupera e como cresce entre uma infecção e outra são informações fundamentais para saber quando a situação está dentro do esperado e quando é hora de investigar.