Tempestade hormonal ou dor de crescimento?

Especialista alerta sobre os limites entre o comportamento típico da puberdade e sinais de alerta emocional

Reconfiguração cerebral na adolescência exige atenção redobrada dos pais; rotular irritabilidade e isolamento como “frescura da idade” pode fazer com que a família perca a janela de atuação preventiva.

A chegada da puberdade é marcada por transformações físicas evidentes, mas o que ocorre nos bastidores da mente muitas vezes pega pais e responsáveis desprevenidos. Mudanças bruscas de humor, crises de oposição, busca intensa por isolamento e variações repentinas de energia costumam ser creditadas apenas aos hormônios. No entanto, a neuropsicologia aponta que o cérebro passa por uma intensa revolução estrutural nessa fase, exigindo um olhar cuidadoso para diferenciar o desenvolvimento natural de quadros de sofrimento psíquico.

De acordo com a psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental Sarah Rebeca Barreto, o cérebro infantil experimenta uma verdadeira reconfiguração durante a transição para a adolescência, com destaque para a desproporção no desenvolvimento entre o sistema límbico — ligado às emoções e à busca por recompensas — e o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento, controle de impulsos e regulação emocional.

“Do ponto de vista neuropsicológico, o que acontece no cérebro de uma criança quando ela ingressa na puberdade justifica plenamente as famosas mudanças bruscas de humor. Enquanto o sistema límbico está a todo vapor, acionando reações emocionais intensas, o córtex pré-frontal — que é o maestro do autocontrole e da avaliação de riscos — ainda está em pleno processo de maturação, que só se completa por volta dos 25 anos. O jovem literalmente sente o mundo de forma mais dramática e desregulada porque a infraestrutura biológica para gerenciar isso está ‘em obras'”, explica a especialista.

O limite tênue entre a individuação e o retraimento patológico

Um dos maiores desafios para as famílias é decifrar o comportamento de recolhimento típico dessa fase. O afastamento parcial dos pais faz parte do processo de individuação e construção de identidade, mas o limite entre o saudável e o patológico pode ser tênue.

“Até certo ponto, o distanciamento dos pais é um processo saudável de individuação, no qual o adolescente precisa testar quem é fora do núcleo familiar. Contudo, quando esse afastamento se torna radical, acompanhado de perda persistente de interesse por atividades que antes lhe davam prazer, queda acentuada no rendimento escolar, alterações severas no apetite ou no sono e apatia profunda, ele deixa de ser um rito de passagem e passa a ser um indicativo de depressão ou retraimento patológico”, alerta Sarah Rebeca Barreto.

Como estabelecer limites sem romper o diálogo

Diante desse cenário de turbulência emocional, muitas famílias caem em dois extremos: a permissividade excessiva por medo de confrontar o jovem ou o autoritarismo rígido, que costuma fechar definitivamente as portas da comunicação. Para a educadora parental, a chave está na firmeza aliada à conexão.

“A família pode e deve estabelecer limites firmes na adolescência sem romper o canal de diálogo e a confiança. O segredo não está na punição severa, mas na previsibilidade e na escuta ativa. O adolescente precisa de contornos seguros para se apoiar, mas também precisa sentir que sua dor e sua opinião são validadas. Quando os pais conseguem regular as próprias emoções antes de responder a uma provocação, eles oferecem ao jovem o modelo de regulação que o cérebro dele ainda não consegue fazer sozinho”, conclui.

Populações de mais três municípios do Ceará são atendidas por carretas de saúde da mulher e exames de imagem

25 municípios do estado já receberam unidades móveis, que ampliaram a oferta de serviços especializados no SUS

Pacientes do SUS que aguardam serviços especializados em Camocim (CE), Horizonte (CE) e Caucaia (CE) estão sendo atendidos por carretas do Ministério da Saúde. Em Camocim e Horizonte, as unidades oferecem exames de imagem, com equipamentos, insumos e equipes multiprofissionais para auxiliar no diagnóstico precoce de doenças e na definição de tratamentos. Já em Caucaia e região, uma carreta especializada em saúde da mulher realiza atendimentos voltados ao diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero.

Os serviços fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, criado pela Lei nº 15.233/2025, e oferecem consultas, procedimentos, exames e demais ações em atenção especializada à saúde.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, visitou a carreta de Camocim nesta sexta-feira (11) e reforçou a importância do programa do governo federal para diminuir o tempo de espera por atendimento e fazer com que as pessoas sejam atendidas próximo das suas casas.

“Hoje temos 118 carretas de saúde em todo o país, sendo sete no Ceará, sendo três de imagem, uma de oftalmologia e três de saúde da mulher. Em Camocim, esta unidade vai atender seis cidades, com a expectativa de atender cerca de 3 mil pessoas que aguardam exames de imagem. Serão até 100 tomografias por dia, além de ultrassonografias”, destacou Mozart Sales.

A unidade móvel de saúde de Camocim oferta diversas tomografias e ultrassonografias para pacientes do SUS da cidade e de outros cinco municípios: Granja, Chaval, Barroquinha e Martinópole, Jijoca de Jericoacoara, Uruoca. Em funcionamento de segunda a sábado, a carreta pode realizar até 170 exames por dia.

Em Horizonte, a unidade atende também pessoas encaminhadas Aquiraz, Beberibe, Cascavel, Chorozinho, Eusébio, Itaitinga, Ocara, Pacajus, Pindoretama A carreta também funciona de segunda a sábado e realiza até 170 exames por dia.

Já a carreta de Caucaia oferta serviços de mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, biópsias e consultas com especialistas, que interpretam os exames e direcionam a paciente para as próximas fases de cuidado. Nove municípios, além da cidade que recebe a unidade: Apuiarés, Itapajé, Pentecoste, Tejuçuoca, São Luís do Curu, Paraipaba, São Gonçalo do Amarante, Paracuru e General Sampaio. Com funcionamento de segunda à sábado, pode realizar até 60 atendimentos por dia.

Mais acesso à saúde

Vinte e quatro municípios já foram atendidos no estado pelas carretas do Ministério da Saúde, ofertando serviços especializados em saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia. Ao todo, 17,3 mil pessoas foram atendidas e 31,7 mil procedimentos foram realizados.

Para ser atendido

As carretas atendem exclusivamente pacientes que foram pré-agendados e encaminhados para a unidade pela secretaria municipal de saúde. Pessoas que já aguardam os exames pelo SUS podem solicitar encaminhamento indo até uma Unidade Básica de Saúde da cidade.