Crédito rural cresce 46% no Ceará e chega a R$ 3,17 bilhões, aponta BC
O crédito rural concedido no Ceará chegou a R$ 3,17 bilhões nos 12 meses encerrados em julho de 2026, uma alta de 46,2% em relação ao mesmo período anterior (quando registrou R$ 2,17 bilhões). O avanço foi puxado principalmente pela agricultura familiar, que recebeu R$ 1,93 bilhão por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Os dados são do Banco Central e reúnem operações realizadas por instituições públicas e privadas. Na comparação com o ciclo anterior, o volume destinado ao Pronaf aumentou 52%, passando de R$ 1,27 bilhão para R$ 1,93 bilhão. Com isso, o programa passou a representar cerca de 61% (aproximadamente três quintos) de todo o crédito rural concedido no Ceará no período.
Para Marcos Barbosa, Consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, a participação do Pronaf ajuda a dimensionar o peso dos pequenos produtores na movimentação do crédito rural cearense.
“Os números mostram que a agricultura familiar tem uma participação central no crédito rural do Ceará. O crescimento do Pronaf indica uma ampliação dos recursos destinados a produtores que dependem do financiamento para custeio, investimento e estruturação da atividade produtiva”, afirma o especialista.
Segundo ele, o crescimento também precisa ser observado em conjunto com as características da produção rural do Estado. “O crédito rural não representa apenas o recurso disponibilizado, mas a possibilidade de financiar etapas diferentes da produção. O comportamento das linhas mostra que há demanda tanto para a atividade produtiva quanto para aquisição de terra, armazenagem e outras estruturas”, diz Barbosa.
Além do Pronaf, destaca-se também o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que cresceu 52%, saltando de R$ 106,84 milhões para R$ 162,11 milhões; e o Inovagro, que teve uma expressiva alta de 248%, passando de R$ 12,52 milhões para R$ 43,54 milhões. Por outro lado, o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF/FTRA) registrou recuo de 11,54%, passando de R$ 33,74 milhões no ciclo anterior para R$ 29,85 milhões até julho de 2026. A linha é destinada ao acesso à terra e à estruturação de propriedades rurais.
Cooperativismo amplia crédito para o agro
No Sicredi, o crédito destinado ao agronegócio também apresenta crescimento. A cooperativa é a instituição financeira privada que mais concede crédito rural no país. Para o Plano Safra 2026/2027, o Sicredi prevê disponibilizar R$ 72,1 bilhões aos produtores rurais em cerca de 340 mil operações, 4,4% acima dos R$ 69 bilhões concedidos no ciclo anterior.
A carteira de crédito agro do sistema soma R$ 121 bilhões. A instituição também prevê R$ 13,3 bilhões para a agricultura familiar e R$ 14,6 bilhões para produtores de médio porte. Segundo os dados apresentados pelo Sicredi, pequenos e médios produtores concentram 88% das operações previstas.
No Ceará, a carteira de crédito rural do Sicredi chegou a R$ 106,76 milhões em julho de 2026, registrando um crescimento superior a 400% em relação aos R$ 20,95 milhões apurados em dezembro de 2024. O apoio ao produtor inclui, além do crédito para custeio e investimento, produtos como consórcios para máquinas e equipamentos, seguros rurais, investimentos e soluções de meios de pagamento.
“O crédito rural tem um papel que vai além do financiamento da produção. Quando o recurso chega ao produtor, ele movimenta toda uma cadeia econômica, gera renda no campo e contribui para a permanência das famílias na atividade rural. Também é um instrumento importante para a produção de alimentos e para a segurança alimentar, porque fortalece quem está diretamente envolvido na produção. Apoiar essas pessoas é também contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado e para a sustentabilidade das comunidades rurais”, afirma Marcos Barbosa.

