Energia solar ganha espaço nos condomínios cearenses e exige planejamento para reduzir custos
Avanço da geração fotovoltaica no Ceará amplia as possibilidades de economia, mas escolha do modelo exige avaliação técnica e planejamento financeiro
A busca por alternativas para reduzir as despesas com energia elétrica tem levado condomínios a avaliar diferentes formas de aproveitar a energia solar. Entre as opções estão a contratação de energia por assinatura, com créditos provenientes de usinas externas, e a instalação de painéis fotovoltaicos no próprio empreendimento. Enquanto a primeira modalidade dispensa obras e equipamentos no edifício, a segunda permite gerar energia no local. A escolha depende das características do condomínio, dos custos envolvidos e do potencial de economia de cada modelo.
De acordo com levantamento da Solfácil, com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os consumidores residenciais representam 92,2% dos projetos de geração distribuída no Ceará. Nesse cenário, a tecnologia também surge como alternativa para reduzir os gastos dos condomínios com o consumo de energia nas áreas comuns, como iluminação, elevadores e bombas d’água.
Ainda segundo dados da Aneel, o Ceará soma 144.626 sistemas solares instalados em residências e estabelecimentos comerciais, ocupando a terceira posição entre os estados do Nordeste, atrás da Bahia e de Pernambuco. Em 2025, o número de sistemas cresceu 9% em relação ao ano anterior e 36% na comparação com 2023, evidenciando a expansão da tecnologia no estado.
O avanço acompanha a tendência nacional. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a capacidade instalada de micro e minigeração distribuída no Brasil passou de 36,2 gigawatts (GW), em 2024, para 45 GW, em 2025. O país também alcançou 7,2 milhões de consumidores vinculados a essa modalidade.
Para George Melo, presidente da Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Ceará (Adconce), o interesse pela energia solar está relacionado à busca por maior controle das despesas condominiais. No entanto, a adoção da tecnologia exige uma análise que considere as particularidades de cada empreendimento, os custos envolvidos e as condições de aproveitamento da energia.
“A energia solar pode ser uma alternativa interessante para os condomínios que buscam mais eficiência na gestão dos gastos, principalmente no consumo das áreas comuns. Mas a decisão precisa considerar as características de cada empreendimento, os custos envolvidos e o potencial de economia. O planejamento é fundamental para que a escolha seja compatível com a realidade financeira do condomínio”, afirma George Melo.
Assinatura de energia solar dispensa instalação de painéis
Na modalidade por assinatura, a energia é gerada em uma usina externa, e os créditos correspondentes podem ser destinados à unidade consumidora contratante, conforme as regras do modelo e da regulamentação do setor elétrico. Dessa forma, o condomínio pode aproveitar os benefícios da geração solar sem precisar instalar painéis no telhado ou realizar obras no edifício.
A alternativa pode ser interessante para empreendimentos que não dispõem de espaço adequado ou preferem evitar o investimento inicial em equipamentos. Antes da contratação, porém, é importante verificar as condições do serviço, os prazos de permanência, as regras de cancelamento e reajuste e o desconto efetivo oferecido. A assinatura também não elimina necessariamente a conta da distribuidora, pois podem permanecer cobranças relativas ao consumo não compensado e a outros componentes tarifários.
Instalação exige avaliação técnica e financeira
Para os condomínios que optam por um sistema próprio, a primeira etapa é verificar se a estrutura comporta os painéis, considerando área disponível, incidência solar, condições do telhado e capacidade da instalação elétrica. O planejamento também deve contemplar o investimento inicial, a manutenção e a eventual substituição de componentes.
A Lei nº 14.300/2022 estabeleceu o marco legal da microgeração e minigeração distribuída e regras para o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), que permite compensar energia excedente injetada na rede, conforme as condições regulatórias aplicáveis a cada projeto.
A avaliação de viabilidade deve considerar a capacidade de geração do sistema, as condições de conexão à rede, as regras de compensação e o retorno financeiro estimado. Comparar propostas e analisar os custos operacionais ajuda a dimensionar a economia possível e evitar expectativas que não correspondam à realidade do empreendimento.
Custos e benefícios precisam ser planejados
Independentemente do modelo escolhido, a administração deve avaliar como a contratação ou o investimento será custeado e qual será o impacto no orçamento do condomínio. No sistema próprio, é necessário definir as responsabilidades pela manutenção e os critérios de distribuição dos custos e benefícios. Na assinatura, a análise deve incluir os pagamentos à fornecedora, as cobranças que permanecem na fatura da distribuidora e as condições previstas em contrato.
As decisões devem ser apresentadas com transparência aos condôminos, respeitando a convenção condominial, as normas aplicáveis e as deliberações da assembleia, quando cabíveis.
“É importante apresentar os custos, explicar como a energia será aproveitada e deixar claras as responsabilidades envolvidas. Quando essas questões são discutidas previamente, a administração tem melhores condições de conduzir a decisão com transparência e planejamento”, ressalta George Melo.
A redução das despesas não é automática. O resultado depende do consumo do condomínio, das condições de contratação ou instalação, do volume de energia compensado ou produzido e dos custos que permanecem. Por isso, a análise técnica e financeira é essencial para identificar a alternativa mais adequada à realidade de cada empreendimento.

