Motoristas de aplicativo e entregadores podem sobrecarregar os joelhos sem perceber

Neste Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho (27 de julho), ortopedista destaca que longas jornadas, movimentos repetitivos e poucas pausas aumentam o risco de dores e lesões nos joelhos

Passar horas ao volante ou sobre uma motocicleta faz parte da rotina de milhares de motoristas de aplicativo e entregadores em todo o país. Embora o foco da prevenção de acidentes de trabalho geralmente esteja voltado para colisões e quedas, outro problema merece atenção: a sobrecarga silenciosa sofrida pelos joelhos ao longo da jornada.

Em alusão ao Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho, celebrado em 27 de julho, o cirurgião ortopédico especialista em cirurgia do joelho, Jonatas Brito, chama a atenção para os impactos que a repetição de movimentos, a permanência prolongada na mesma posição e a falta de pausas podem causar nas articulações.

“Muita gente não percebe, mas motoristas de aplicativo e entregadores usam muito o joelho, mesmo quando parecem estar parados. O motorista passa horas sentado com o joelho dobrado, acelerando, freando, entrando e saindo do carro. No fim do dia, é comum sentir o joelho duro, pesado ou dolorido, principalmente ao levantar, subir escadas ou caminhar depois de muito tempo dirigindo”, explica o especialista.

No caso dos entregadores, a sobrecarga tende a ser ainda maior. Além do tempo prolongado na moto ou bicicleta, esses profissionais frequentemente sobem escadas, descem rampas, apoiam repetidamente os pés no chão, carregam mochilas pesadas e enfrentam jornadas extensas, muitas vezes sem intervalos adequados.

Segundo o ortopedista, esse conjunto de fatores pode favorecer dores, inflamações e agravar problemas já existentes, principalmente quando o organismo não tem tempo suficiente para se recuperar. “O problema é que muita gente vai empurrando a dor, acha que é só cansaço, que faz parte do trabalho. Mas nem toda dor deve ser considerada normal. Se o joelho dói toda semana, incha, trava, dá sensação de falhar, faz a pessoa mancar ou exige o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios para conseguir trabalhar, isso já merece uma avaliação médica”, alerta.

Pequenas mudanças fazem diferença

Apesar da rotina intensa, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a sobrecarga sobre os joelhos. Entre elas está aproveitar pequenos intervalos entre uma corrida e outra para sair do veículo, caminhar por alguns minutos e movimentar as articulações.

Outro ponto importante é o ajuste correto do banco do carro. “O ideal é que o banco fique em uma posição confortável, sem que a perna permaneça excessivamente esticada ou o joelho muito dobrado. Uma postura adequada reduz o esforço repetitivo durante a direção”, orienta o médico.

Para quem trabalha com entregas, também é fundamental observar o peso e a regulagem da mochila. “Uma mochila muito pesada ou mal ajustada altera a postura e aumenta a sobrecarga não apenas nos joelhos, mas em todo o corpo”, ressalta.

Além disso, o fortalecimento muscular é um dos principais aliados na prevenção. “Joelho não melhora apenas com repouso. Em muitos casos, é preciso fortalecer a musculatura da coxa, dos glúteos e da panturrilha. Estes músculos ajudam a distribuir melhor a carga e aumentam a capacidade do joelho de suportar a rotina de trabalho”, explica.

Dor persistente não deve ser ignorada

O especialista também faz um alerta sobre o uso frequente de pomadas, analgésicos e anti-inflamatórios como única estratégia para controlar a dor.

“Esses medicamentos podem aliviar os sintomas temporariamente, mas não tratam a causa do problema. Quando a dor persiste, ela precisa ser investigada para evitar que uma lesão evolua e comprometa ainda mais a qualidade de vida e a capacidade de trabalho”, afirma.

No Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho, o médico reforça que a prevenção vai além de evitar acidentes graves. “Prevenção também é cuidar do corpo antes que ele obrigue você a parar. Quem trabalha dirigindo, pilotando ou fazendo entregas precisa aprender a escutar os sinais do próprio corpo. Dor persistente não é frescura. É um sinal de que alguma coisa precisa ser avaliada.”

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