Inadimplência em condomínios chega a 18,24% no Ceará

Índice do primeiro semestre de 2026 subiu 3,10 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a uCondo

A inadimplência em condomínios chegou a 18,24% no Ceará no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da uCondo. O índice representa um crescimento de 3,10 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, quando a taxa era de 15,14%.

Os dados também mostram que o percentual registrado em 2026 é superior ao observado no primeiro semestre de 2024, quando a inadimplência ficou em 16,92%. Na comparação com aquele período, houve aumento de 1,32 ponto percentual.

O cenário amplia o desafio para síndicos e administradoras, que precisam lidar com os efeitos dos atrasos sobre o orçamento dos empreendimentos. As cotas condominiais são utilizadas para custear despesas como folha de funcionários, manutenção, segurança, limpeza, contratos e demais serviços necessários para o funcionamento dos condomínios.

Para Karol Freitas, CEO da Gestart Condomínios, o crescimento da inadimplência reforça a necessidade de uma gestão financeira cada vez mais organizada e do acompanhamento constante das contas do condomínio.

“A inadimplência não afeta apenas o morador que deixa de pagar. O condomínio continua tendo compromissos mensais e precisa manter sua estrutura funcionando. Quando o percentual de atrasos cresce, o impacto acaba sendo sentido por toda a comunidade, o que torna ainda mais importante uma gestão financeira organizada e um acompanhamento constante dos indicadores”, afirma a CEO.

Atenção contínua aos débitos

A evolução registrada no Ceará mostra que o problema merece atenção contínua. Depois de apresentar 16,92% de inadimplência no primeiro semestre de 2024, o Estado registrou uma redução para 15,14% em 2025, mas voltou a apresentar crescimento em 2026, atingindo o maior percentual da série apresentada pela uCondo.

Para os gestores condominiais, o aumento dos atrasos exige atenção não apenas à cobrança, mas também ao planejamento financeiro. A identificação rápida de mudanças no comportamento dos pagamentos pode ajudar a administração a avaliar o impacto da inadimplência sobre o fluxo de caixa e evitar que os débitos comprometam o cumprimento das obrigações do condomínio.

“É preciso entender que o condomínio tem uma dinâmica financeira própria. Existem despesas que não podem simplesmente ser adiadas porque parte dos moradores está inadimplente. Por isso, o trabalho do síndico passa também por acompanhar a arrecadação, identificar a evolução dos atrasos e estabelecer uma estratégia de cobrança que permita recuperar os valores sem comprometer a relação com os moradores”, explica Karol.

A cobrança dos débitos também deve fazer parte de uma estratégia de gestão. Quanto maior o período de atraso, maior tende a ser o impacto sobre as contas e a necessidade de medidas para recuperar os valores devidos.

Nesse processo, a comunicação com os moradores também ganha importância. A apresentação clara das contas, dos índices de inadimplência e dos impactos provocados pelos atrasos contribui para que os condôminos compreendam como o comportamento individual pode interferir no orçamento coletivo.

“O síndico precisa transformar os números em informação para os moradores. Quando a comunidade entende quanto existe de inadimplência, quais são os impactos no orçamento e quais medidas estão sendo tomadas, fica mais fácil construir uma gestão transparente e responsável”, afirma a especialista.

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