Boa gestão do RH pode evitar incidentes de segurança cibernética a empresas, afirma especialista
Alberto Jorge, CEO da Trust Control, alerta para a necessidade de integração entre as áreas de pessoal e TI. A proteção começa na gestão de pessoas, especialmente nos momentos de admissão, movimentação interna e desligamento
A cibersegurança deixou de ser preocupação apenas da área de tecnologia das empresas e passou a integrar, de forma decisiva, a rotina dos setores de Recursos Humanos. Em um cenário em que dados pessoais, informações contratuais, registros financeiros e documentos estratégicos circulam por diferentes sistemas, o RH ocupa posição central na prevenção de falhas que podem resultar em invasões, vazamento de informações, sequestro de dados e prejuízos operacionais e financeiros. Especialistas alertam que a proteção começa na gestão de pessoas, especialmente nos momentos de admissão, movimentação interna e desligamento, quando permissões de acesso, contas corporativas e arquivos sensíveis exigem um monitoramento rigoroso.
Um levantamento realizado por uma empresa global especializada em segurança cibernética nos últimos dois anos indica que 26% dos ataques cibernéticos em empresas são causados intencionalmente por funcionários, enquanto o erro humano acidental responde por 38% dos incidentes, dado que evidencia o peso da conscientização e da governança interna na mitigação de riscos.
Para Alberto Jorge, especialista em cibersegurança e CEO da Trust Control, o desafio vai além da adoção de ferramentas tecnológicas. “O RH é um dos primeiros filtros de segurança da empresa, porque gerencia o ciclo de vida de quem entra, circula e sai da organização. A falta de integração entre pessoas, processos e tecnologia amplia a exposição das companhias a ataques e incidentes internos. Sem política de acesso e cultura de proteção, o colaborador vira a principal superfície de ataque da companhia”, analisa.
A avaliação reforça a necessidade de controles claros sobre quem pode acessar o quê, em quais condições e por quanto tempo, além de revisões periódicas para evitar o acúmulo de permissões indevidas.
Riscos de ataques
Os riscos, na prática, aparecem em diferentes frentes. Entre os mais comuns estão o phishing, a engenharia social, o uso de senhas fracas, o compartilhamento indevido de arquivos e o emprego de dispositivos não autorizados para acessar sistemas corporativos.
Em ambientes híbridos e remotos, o desafio se torna ainda maior, porque a superfície de ataque se espalha para fora do perímetro físico da empresa. Nesse contexto, o fator humano segue sendo um dos principais vetores de vulnerabilidade.
Para Alberto Jorge, a resposta passa por disciplina e cultura organizacional. “Cibersegurança não é só tecnologia; é disciplina operacional, processo e comportamento. Isso significa aplicar o princípio do menor privilégio, revisar acessos com frequência, reforçar políticas de confidencialidade, investir em treinamento contínuo e estabelecer rotinas de backup e resposta a incidentes”, alerta.
O especialista também chama atenção para a importância de o RH atuar em conjunto com a TI, sobretudo em processos de desligamento, quando o bloqueio tardio de credenciais pode abrir brechas para uso indevido de sistemas e informações sensíveis. “Toda empresa que trata dados sem governança corre risco de parar operações, perder receita e comprometer sua reputação. Por isso, a integração entre RH e segurança da informação não é mais uma boa prática: tornou-se uma necessidade corporativa”, observa Alberto Jorge, CEO da Trust Control.

