Convidado pela Marinha para falar sobre IA, advogado cearense alerta para riscos às empresas

Rafael Gonçalves Mota chama atenção para o compartilhamento de informações confidenciais em ferramentas de inteligência artificial; especialista também participa de simpósio em Fortaleza

Convidado pela Marinha para falar sobre inteligência artificial, o advogado cearense Rafael Gonçalves Mota alerta para um risco presente na rotina das empresas: o compartilhamento de dados de clientes, contratos e documentos internos em plataformas de IA sem critérios claros de segurança. O assunto envolve tarefas aparentemente simples, como pedir o resumo de um contrato ou a análise de uma planilha, que podem comprometer a confidencialidade das informações.

“Uma empresa pode estar entregando informações sensíveis sem perceber, simplesmente porque ainda não estabeleceu limites claros para o uso dessas ferramentas”, afirma Rafael.

O advogado participou recentemente de atividade na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro, onde abordou proteção de dados, soberania digital, ciberespaço e os riscos relacionados ao avanço da inteligência artificial. Em novembro, leva o debate a Fortaleza, onde integra a programação do II Simpósio de Segurança da Informação.

Para Rafael, a discussão precisa alcançar o uso cotidiano da tecnologia por funcionários e gestores. Antes de inserir documentos em uma plataforma, é necessário avaliar o conteúdo compartilhado, as condições de uso do serviço e os controles disponíveis para proteger as informações.

“O risco começa quando o profissional trata um documento da empresa como se fosse apenas um texto a ser resumido. Um contrato pode conter dados pessoais, cláusulas confidenciais e informações estratégicas. A facilidade de executar a tarefa não elimina a necessidade de avaliar o que está sendo compartilhado”, destaca.

A preocupação também envolve o destino dessas informações: quem pode acessar o conteúdo enviado, por quanto tempo ele permanece armazenado e quais condições se aplicam à sua exclusão. Segundo o advogado, essas questões precisam integrar as decisões das organizações sobre quais ferramentas autorizar e como orientar suas equipes.

“As empresas precisam transformar a preocupação com segurança em orientação prática: quais ferramentas podem ser usadas, que informações podem ser inseridas e quem deve ser consultado em caso de dúvida. Sem essa definição, cada funcionário acaba tomando sozinho uma decisão que pode afetar toda a organização”, avalia.

Debate em Fortaleza

Rafael participa do II Simpósio de Segurança da Informação no dia 5 de novembro, às 8h15, com a palestra “Da Segurança da Informação à Guerra Cibernética: Soberania Digital e Defesa do Estado”.

Promovido pelo 52º Centro de Telemática, o evento ocorre nos dias 4 e 5 de novembro, na Avenida Luciano Carneiro, 840, em Fortaleza. A programação reúne discussões sobre infraestrutura crítica, cibersegurança, proteção de conhecimentos sensíveis e segurança da informação em órgãos públicos e empresas.

Sobre o advogado Rafael Gonçalves

Rafael Gonçalves Mota é advogado criminalista, mestre e doutor em Direito Constitucional, com pós-doutorado em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e em Estudos Marítimos pela Escola de Guerra Naval. É professor convidado da Escola Superior de Guerra e da Escola Superior de Defesa e sócio do escritório Henrique Lavor Advogados.

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