Copa do Mundo reforça importância da vacinação contra sarampo; infectologista da Hapvida orienta viajantes  

Com surtos ativos nos EUA, no Canadá e no México, Ministério da Saúde lança campanha de vacinação; especialista ressalta responsabilidade individual e risco de reintrodução da doença no país 

O Brasil é considerado país livre da circulação endêmica do sarampo, mas o cenário internacional acende um sinal de alerta importante às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Estados Unidos, Canadá e México, países-sede do torneio, vivem surtos da doença, o que aumenta o risco de reintrodução em território nacional por meio de casos importados por viajantes, segundo o Ministério da Saúde. 

Diante desse quadro, o infectologista Álvaro Furtado da Costa, da Hapvida, ressalta que não há motivo para pânico, mas defende que a preocupação deve existir e precisa ser levada a sério. A vacinação, incluindo a campanha nacional lançada pelo governo federal para quem vai ao Mundial, continua sendo a principal aliada. “O Brasil está em uma boa situação, mas precisa se proteger para continuar assim. É uma campanha de responsabilidade. O sarampo é altamente transmissível, mas totalmente prevenível”, afirma o especialista. 

Os números dos países-sede da Copa revelam porque a preocupação deve ser real. O México, que registrou apenas sete casos em 2024, chegou a mais de 10 mil ocorrências em 2026, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Os Estados Unidos acumulam quase 1.800 casos neste ano. O Canadá perdeu o status de país livre da doença após contabilizar 5.062 casos em 2025 e já soma mais 900 em 2026. Juntos, os três concentram hoje cerca de 67% de todos os casos registrados nas Américas. 

“O sarampo não é uma doença do passado. Ele volta quando encontra bolsões de pessoas não vacinadas. Mesmo não tendo uma circulação importante no Brasil, existe um risco real de reintrodução, com casos importados”, explica Furtado da Costa.  

O Brasil somou 38 casos no ano passado, todos por importação. Neste ano, apenas três casos de sarampo foram confirmados até maio. 

Alta transmissibilidade: A transmissibilidade do sarampo é um dos fatores que mais preocupam os especialistas. Uma única pessoa infectada pode transmitir a doença a até 20 outras, o que torna ambientes de grande aglomeração cenários de risco elevado. “Os sintomas clássicos são febre, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas pelo corpo. Após uma viagem internacional, qualquer quadro febril com lesões de pele deve acender essa possibilidade”, alerta o infectologista. 

A principal recomendação para quem vai viajar é checar e atualizar a carteira de vacinação antes do embarque. A vacina é ofertada gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes e adultos, independentemente de terem viagem marcada.  

Quem não vai à Copa também deve checar sua situação vacinal. O médico da Hapvida chama atenção especial para trabalhadores de aeroportos, hotéis, serviços de transporte e saúde, que têm contato mais direto com fluxo de turistas.  “A recomendação é clara: manter a vacinação em dia e ter atenção aos sintomas iniciais. O Brasil mantém hoje um histórico sólido de vigilância epidemiológica. Preservar esse status depende, em grande medida, da cobertura vacinal da população”, reforça Furtado da Costa. 

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