A mídia tradicional está morrendo?
Especialista explica que ser visto não significa, necessariamente, ser lembrado
A sensação da publicidade estar em toda parte nunca foi tão forte. Publicações patrocinadas, anúncios de casas de apostas, aplicativos de desconto, roletas de prêmios e pop-ups disputam a atenção do consumidor a todo momento. Paralelamente, um levantamento divulgado pelo Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário (CENP-Meios) mostra que os investimentos em publicidade continuam migrando para o ambiente digital. Já as mídias tradicionais, como televisão, rádio, jornais e revistas, registram retração.
Apesar desse movimento, os dados também revelam o crescimento da mídia Out-of-Home (OOH). Essa categoria reúne outdoors, painéis digitais, mobiliário urbano e anúncios em transportes públicos. De acordo com esse cenário, mais do que abandonar determinados canais, o mercado tem buscado diversificar as formas de comunicação. Diante desse contexto, surge uma dúvida comum entre empresários: onde investir?
Para Gabriel Santiago, publicitário e docente do curso de Publicidade e Propaganda do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, a resposta depende menos do meio escolhido e mais da estratégia construída antes da campanha. “Isso não quer dizer que outras mídias estão mortas ou a melhor escolha passa a ser a internet. Apesar desse meio alcançar um grande público, com poucas barreiras de entrada e diferentes formatos de comunicação, cada mensagem ainda é influenciada por um ‘algoritmo invisível’. Estar nas redes sociais, por si só, não garante resultados”, explica.
Segundo o especialista, a rápida expansão das ferramentas de Inteligência Artificial e a facilidade de produzir conteúdo também contribuíram para ampliar um problema recorrente da publicidade contemporânea: a distância entre planejamento e execução. Na tentativa de acompanhar tendências e manter presença constante nas redes sociais, muitas empresas acabam priorizando a quantidade de publicações ao invés da construção de uma estratégia consistente.
Embora a Inteligência Artificial tenha tornado mais ágil a produção de cartazes, vídeos, ilustrações e peças gráficas, Gabriel alerta que criatividade e tecnologia não substituem o planejamento. Sem objetivos claros, o excesso de conteúdo pode gerar fadiga no público e comprometer os resultados das campanhas.
Na avaliação do docente, esse desafio também pode ser observado em empresas do Cariri. Muitas vezes, o investimento na estética das campanhas acaba recebendo mais atenção do que a definição de objetivos, público-alvo e posicionamento de marca.
“A ideia nasce no planejamento. Sem ele, a publicidade perde sua razão de existir, não alcança seus objetivos e acaba presa ao efêmero. Vemos isso com frequência nas redes sociais: campanhas visualmente bonitas, mas que desaparecem rapidamente. A publicidade não é apenas produzir peças criativas. É desenvolver soluções capazes de atender aos objetivos de comunicação e marketing de cada cliente”, conclui.


